Poucas campanhas de saúde pública são tão reconhecidas quanto o Outubro Rosa. Durante todo o mês, laços cor-de-rosa aparecem em roupas, prédios e espaços públicos, simbolizando um movimento que cumpre seu papel: lembrar a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e incentivar o cuidado com a saúde da mulher.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama em 2025 — um desafio significativo para o Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pela maior parte dos atendimentos. O SUS oferece desde exames preventivos até o tratamento completo da doença, consolidando seu papel essencial na rede pública.
Neste Outubro Rosa de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação do Trastuzumabe Entansina (T-DM1) ao SUS — um medicamento de última geração indicado para o câncer de mama HER2-positivo, uma das formas mais agressivas da doença. A primeira remessa, com 11.978 unidades, chegou ao Brasil em 13 de outubro, marcando o início da distribuição nacional.
O investimento total é de R$ 159,3 milhões para a compra de 34,4 mil frascos-ampola, com economia estimada em R$ 165,8 milhões graças à negociação conduzida pelo Ministério, que reduziu os preços em cerca de 50%. O medicamento atenderá pacientes até o fim de 2025, ampliando o acesso ao tratamento oncológico.
O Trastuzumabe Entansina será distribuído às secretarias estaduais de saúde, de acordo com os protocolos clínicos do SUS. Paralelamente, o Ministério também avança na incorporação dos inibidores de ciclinas — abemaciclibe, palbociclibe e ribociclibe —, usados no tratamento do câncer de mama avançado ou metastático com receptor hormonal positivo.
Uma nova portaria deve autorizar a compra descentralizada desses medicamentos por meio da Autorização de Procedimento de Alta Complexidade (APAC), permitindo que estados e municípios realizem aquisições diretas com financiamento federal. Essa medida busca agilizar o acesso e reforçar a eficiência da gestão pública em oncologia.
Para os profissionais de saúde, essas iniciativas representam avanços históricos e motivos de esperança. Cada novo medicamento incorporado ao SUS é um instrumento de cuidado e dignidade, fortalecendo o compromisso do sistema com a vida e a equidade no tratamento.
O Outubro Rosa segue como um símbolo poderoso de informação, prevenção e empatia, lembrando que acesso, ciência e solidariedade são os pilares da luta contra o câncer de mama.
*Thiago Vieira, médico oncologista clínico, atua no diagnóstico e tratamento de diversos tipos de câncer. Comprometido com a assistência integral ao paciente oncológico, dedica-se também à educação em saúde e à divulgação científica, com o propósito de tornar a informação médica mais acessível e próxima da comunidade.
*Contato através do e-mail: thiagosanvieira@hotmail.com








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