União Europeia aprova novo acordo climático para 2040 após disputa interna e pressões diplomáticas

Bloco define redução mínima de 90% das emissões até 2040 e faz concessões para garantir consenso antes da COP30 de Belém.
Bloco define redução mínima de 90% das emissões até 2040 e faz concessões para garantir consenso antes da COP30 de Belém.

A União Europeia chegou, nesta quarta-feira (05/11/2025), a um acordo sobre suas metas de redução de gases de efeito estufa para 2035 e 2040, após uma maratona de mais de 18 horas de negociações em Bruxelas. O pacto, anunciado pela Dinamarca, que preside o bloco, prevê uma redução líquida de pelo menos 90% das emissões até 2040 em relação aos níveis de 1990, mas inclui flexibilizações e adiamentos para garantir adesão dos Estados mais resistentes.

Entre as concessões, está a possibilidade de compra de créditos de carbono no exterior, permitindo que até 5% da meta total seja compensada por esse mecanismo. Assim, a redução efetiva das indústrias europeias deve ficar em cerca de 85%. O acordo também adiou a expansão do mercado de carbono para transporte rodoviário e aquecimento de edifícios, originalmente prevista para 2027, agora transferida para 2028.

Negociações e divisões internas no bloco

A decisão foi o desfecho de intensas discussões entre ministros do Meio Ambiente dos 27 países-membros. França, Itália e Polônia lideraram o grupo favorável a regras mais flexíveis, enquanto a Dinamarca defendeu metas mais rígidas e prazos mais ambiciosos. O debate refletiu o embate entre rigor ambiental e competitividade econômica — tema central das políticas climáticas europeias.

Os países mais cautelosos argumentaram que a indústria europeia enfrenta custos elevados de energia e que medidas mais duras poderiam comprometer a competitividade global, especialmente frente às economias chinesa e norte-americana. Já os defensores de metas mais severas sustentam que afrouxar compromissos ambientais enfraquece a liderança climática da União Europeia.

Contexto das metas e influência nas NDCs

Atualmente, a Comissão Europeia propõe limitar em 3% o uso de créditos de carbono, mas Itália e França pedem ampliação para 5%, e a Polônia quer elevar o teto para 10%. Parte dos Estados também defende antecipar o uso dos créditos para 2031, cinco anos antes do planejado.

A Dinamarca, no entanto, vinculou o novo acordo às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que definem os planos de cada país para cumprir o Acordo de Paris. Essa estratégia aumentou a pressão por metas mais ambiciosas, mas também prolongou as negociações. A COP30, que será realizada em Belém do Pará, marca a terceira rodada de revisões das NDCs, tornando o acordo europeu um ponto-chave no contexto global.

Desafios e credibilidade climática

Especialistas alertam que a flexibilização das metas europeias pode impactar a credibilidade internacional do bloco, tradicionalmente visto como referência em política climática. A meta anterior, estabelecida em 1990, já previa uma redução de 90% até 2040, mas a nova versão inclui brechas que reduzem a ambição do plano.

O atraso na apresentação da nova NDC da União Europeia também preocupa. O bloco perdeu os prazos de fevereiro e setembro, o que impede a inclusão de seus compromissos no relatório-síntese da ONU. Segundo especialistas, essa ausência limita o impacto político da Europa nas negociações da COP30 e pode enfraquecer a posição do bloco frente a países emergentes.

Repercussão internacional e expectativas para a COP30

A divulgação das novas metas antes da COP30 é considerada essencial para garantir debates técnicos consistentes durante a conferência. Apesar do atraso europeu, o relatório-síntese da ONU indicou avanços nas metas de outros países, mas alertou que o mundo ainda caminha para um aquecimento entre 2,3°C e 2,5°C, acima do limite de 1,5°C definido no Acordo de Paris.

Especialistas afirmam que a COP30 em Belém será decisiva para reacelerar compromissos climáticos e reaproximar a União Europeia do protagonismo climático que caracterizou o bloco nas últimas décadas. O encontro, previsto para a próxima semana, reunirá líderes globais em um cenário de pressões políticas e ambientais crescentes.

*Com informações da RFI.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.