O contador Mauro Palombo Concílio confirmou na quinta-feira (27/11/2025), em depoimento à CPMI do INSS, que prestou serviços contábeis a quatro entidades sob investigação por desvios superiores a R$ 700 milhões relacionados a descontos indevidos de aposentados e pensionistas. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), solicitou a apreensão de todos os documentos trazidos pelo depoente, atendendo determinação do presidente da comissão, Carlos Viana.
Concílio afirmou que iniciou contato com uma das entidades em dezembro de 2022, após indicação de Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios. A partir de fevereiro de 2024, passou a atuar para quatro associações: Amar Brasil, Andap, Aasap e Master Prev, com contratos intermediados por outros investigados.
Segundo o relator, as quatro entidades teriam sido usadas para movimentar valores que superam R$ 700 milhões, com o contador responsável por estruturar mecanismos contábeis utilizados no esquema de lavagem de dinheiro, de acordo com a investigação.
Relações profissionais e fluxo contábil
Durante o depoimento, Concílio declarou não ter tido acesso aos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados pelas entidades e alegou que os documentos não fazem parte da rotina contábil. Afirmou ter contabilizado cerca de R$ 2 milhões provenientes das quatro associações, com base em extratos bancários e registros oficiais.
O depoente relatou ainda que foi orientado por dirigentes a abrir novas empresas prestadoras de serviço, incluindo duas com atuação exclusiva em contabilidade de entidades associativas, além da Contábel Nelma, já existente em São Paulo. As empresas foram fechadas após a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela CGU.
O relator questionou a motivação para a abertura e fechamento das empresas e destacou que o contador também prestou serviços a parentes de investigados, incluindo a esposa do ex-procurador Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. Concílio confirmou os atendimentos e alegou que não identificou incompatibilidade financeira.
Operação Sem Desconto e conexões investigadas
O contador reconheceu que prestou serviços ao empresário João Carlos Camargo Júnior, conhecido como “alfaiate dos famosos”, apontado pelo relator como possível elo do esquema de lavagem. Conforme nota fiscal apresentada, a empresa do empresário recebeu mais de R$ 1 milhão por serviços prestados a uma das associações.
Questionado sobre comunicações ao Coaf, Concílio afirmou não ter feito nenhum relato e disse desconhecer obrigação legal que imponha ao contador informar suspeitas de lavagem de dinheiro. Declarou também que não tinha acesso aos registros de descontos individuais dos beneficiários.
O depoente admitiu guardar dinheiro em espécie em casa, alegando que os valores estão declarados à Receita Federal, e colocou seu sigilo bancário à disposição. Negou envolvimento ilícito e afirmou que seus bens resultam de sua atuação profissional.
Posicionamentos dos parlamentares
O senador Izalci Lucas (PL-DF) declarou haver “coincidências” nos registros contábeis das entidades, que, segundo ele, reforçam a hipótese de lavagem de dinheiro. O parlamentar também mencionou estranheza diante da prática de guardar dinheiro em espécie.
Ao encerrar a sessão, o presidente da CPMI voltou a defender a suspensão por 180 dias dos empréstimos consignados de aposentados e pensionistas do INSS, afirmando que a medida seria forma de proteção frente às fraudes investigadas pelo colegiado.
*Com informações da Agência Senado.











Deixe um comentário