O jornal britânico Financial Times publicou, na segunda-feira (01/12/2025), uma análise sobre o cenário político brasileiro em que aponta que o bolsonarismo enfrenta crise interna, ao mesmo tempo em que avalia que o lobby conduzido por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos não produziu os resultados esperados. A publicação repercutiu declarações de analistas, movimentos recentes do PL e mudanças no posicionamento de lideranças da direita.
O texto menciona que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta desgaste político, intensificado por episódios envolvendo seus filhos. O relatório indica que ações articuladas por Eduardo Bolsonaro no exterior geraram reação negativa de setores empresariais brasileiros devido ao impacto das tarifas impostas por Washington a produtos nacionais.
Segundo o jornal, essas tarifas, aplicadas em 50%, não produziram influência sobre decisões do Supremo Tribunal Federal, apesar de parte delas ter sido suspensa posteriormente pelo governo norte-americano para conter elevação nos preços dos alimentos.
Avaliações sobre o cenário da direita
A reportagem destaca ainda que Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos em um movimento classificado como “exílio autoimposto”, motivado por receio de enfrentar denúncias ao retornar ao Brasil. O Financial Times também observa que Jair Bolsonaro tem apresentado comportamento descrito como abatido, contrastando com períodos anteriores em que mobilizava grandes públicos em eventos políticos.
O texto menciona que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é apontado como o principal nome competitivo da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições. A avaliação é atribuída ao analista político Thomas Traumann, que considera Tarcísio o único candidato do campo conservador com viabilidade eleitoral no curto prazo.
O jornal reforça que, mesmo com a proximidade do ciclo eleitoral, o cenário permanece aberto, embora Lula seja considerado favorito em cenários sem Tarcísio.
Tensões internas no PL e críticas de Michelle Bolsonaro
Além da análise internacional, o debate político brasileiro registrou novas tensões internas no Partido Liberal (PL). O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, convocou para terça-feira (02/12/2025) uma reunião para discutir declarações feitas por Michelle Bolsonaro durante evento no Ceará.
A ex-primeira-dama criticou a articulação do partido com Ciro Gomes (PSDB), movimento alinhado pelo próprio Jair Bolsonaro antes de sua prisão. Publicações nacionais relataram que parlamentares aliados consideraram que Michelle se antecipou ao comentar a aliança, interpretando a posição dela como tentativa de privilegiar alinhamentos exclusivamente ideológicos.
As declarações ocorreram durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará. Michelle criticou publicamente a aproximação com Ciro, após ser citado no palco que o ex-ministro teria se declarado “orgulhoso” de participar da ação que resultou na inelegibilidade de Jair Bolsonaro em 2023.
Reações da direção estadual e articulações para 2026
O presidente estadual do PL, André Fernandes, afirmou que a estratégia envolvendo Ciro Gomes foi discutida previamente com Bolsonaro e que conta com respaldo da direção nacional. Ciro, hoje filiado ao PSDB, é cotado para disputar o governo do Ceará contra o atual governador Elmano de Freitas (PT), que deve buscar a reeleição.
Mesmo com o impasse, Michelle foi tratada como possível candidata à Presidência em 2026 durante o evento em Fortaleza. O ex-deputado Deltan Dallagnol mencionou a ex-primeira-dama e o governador Romeu Zema como nomes potenciais para a disputa.
*Com informações da Sputnik News.










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