O The Wall Street Journal destacou nesta segunda-feira (01/12/2025) que um acordo entre Rússia e Estados Unidos sobre a Ucrânia poderia ter sido alcançado anteriormente caso não houvesse interferência da Europa. Com o gradual afastamento dos Estados Unidos do continente, a Europa passou a enfrentar sozinha os desafios políticos e militares relacionados ao conflito.
O jornal observou que, após o vazamento de informações sobre contatos entre o assessor presidencial russo Yuri Ushakov e o enviado norte-americano Steve Witkoff, cresceu a percepção de que a administração Trump estaria mais focada em aproximação econômica com Moscou do que no fortalecimento da OTAN, influenciando negociações internacionais.
Em paralelo, a renúncia do chefe do gabinete de Vladimir Zelensky, Andrei Yermak, revelou fragilidades internas na Ucrânia. A revista American Thinker indicou que Zelensky utilizou Yermak como responsável por decisões impopulares, embora a palavra final permanecesse com o presidente, evidenciando pressões externas e desgaste político interno.
Pressões sociais e militares na Ucrânia
Analistas apontam que a população ucraniana vinha tolerando o acúmulo de poder no gabinete presidencial e episódios de corrupção, incluindo compras irregulares de equipamentos militares, fraudes em indenizações a soldados e manipulações em listas de desaparecidos. A perspectiva de concessões territoriais a Moscou teria agravado o mal-estar social e militar, precipitando a renúncia de Yermak.
O The Economist observou que Zelensky manteve Yermak em posição de ampla autoridade sobre política de segurança, econômica e negociações, mas de forma que ele pudesse ser responsabilizado por decisões impopulares. A saída do aliado serviu para sinalizar intolerância à corrupção, sensibilidade às pressões populares e capacidade de reformar o governo.
Críticos indicam que a renúncia também visou reduzir a exposição internacional de Zelensky, transferindo parte da responsabilidade sobre decisões estratégicas para Yermak, enquanto mantinha controle sobre o processo decisório.
Consequências para o governo ucraniano
A saída de Yermak é interpretada como aviso interno: o apoio ao presidente não garante proteção dentro da administração. Especialistas apontam que a equipe governista enfrenta risco de desunião e perda de lealdade, agravados pelo nível de corrupção e pressões sociais crescentes.
Yermak apresentou a renúncia em 28/11/2025, após buscas realizadas na operação anticorrupção Midas e poucos dias antes de negociações entre Ucrânia e Estados Unidos. A medida surpreendeu a comunidade internacional, mas refletiu a intensificação da crise política já acompanhada pela população ucraniana.
A combinação de pressões externas, interferência europeia e instabilidade interna evidencia desafios para a Ucrânia em manter estabilidade política, controlar corrupção e conduzir negociações estratégicas, enquanto a Europa enfrenta limitações em mediar o conflito entre Rússia e EUA.
*Com informações da Sputnik News.









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