Prisões por morte de ex-delegado em São Paulo apontam ligação com detenções realizadas em 2005 e atuação contra o PCC

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou, em entrevista coletiva concedida na terça-feira (13/09/2025), que três pessoas presas pela morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes haviam sido detidas por ele em 2005 durante operações contra assaltos a banco. As prisões ocorreram em Santos e Jundiaí, como parte do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Segundo o secretário Nico Gonçalves, a principal linha de apuração indica que o crime estaria relacionado à atuação do ex-delegado contra o crime organizado, embora outras hipóteses não tenham sido descartadas. A avaliação preliminar da pasta aponta elevado grau de convicção quanto à motivação ligada a ações passadas de Fontes contra integrantes da facção Primeiro Comando Capital (PCC).

A polícia também analisa a possibilidade de conexão com a atuação administrativa de Ruy Ferraz na Prefeitura de Praia Grande, onde exercia o cargo de secretário de Administração à época do crime.

Investigação e contexto do crime

Ruy Ferraz Fontes foi morto no domingo (15/09/2025), em Praia Grande, no litoral paulista. Conforme a investigação, o ex-delegado foi monitorado pelos suspeitos antes do crime. As autoridades informaram que a dinâmica do ataque foi registrada por câmeras de vigilância, o que auxiliou a reconstituição dos fatos.

Com mais de 40 anos de carreira, Fontes atuou em operações relevantes nos anos 2000, incluindo prisões de lideranças do PCC, segundo registros da Polícia Civil. Esse histórico é considerado central para a principal hipótese investigativa.

As apurações indicam que o planejamento do crime teria ocorrido em março de 2025, com acompanhamento da rotina do ex-delegado a partir de junho do mesmo ano.

Suspeitos presos e papel atribuído

Os presos foram identificados como Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca; Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote; e Manuel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manezinho. De acordo com a polícia, o trio teria atuado no planejamento, organização e logística do assassinato.

A investigação aponta que Fernando Alberto Ribeiro Teixeira exerceria liderança do PCC na Baixada Santista e teria coordenado as ações. As autoridades apuram se há um mandante acima do grupo, hipótese ainda não confirmada.

Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, cadernos e outros materiais, que seguem sob análise para aprofundamento das diligências.

Andamento das operações policiais

Nas duas operações realizadas até o momento, a polícia informou a prisão de 13 pessoas. Destas, cinco foram liberadas com monitoramento por tornozeleira eletrônica, enquanto duas permanecem foragidas. As investigações seguem em curso, com acompanhamento do Ministério Público.

As autoridades reforçaram que a conclusão sobre a cadeia de comando dependerá da análise técnica das provas reunidas.


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