EUA anunciam nova Estratégia de Defesa, ameaçam aliados e priorizam Groenlândia e Canal do Panamá

Os Estados Unidos divulgaram sua nova Estratégia de Defesa Nacional, estabelecendo que aliados regionais que contrariem interesses de Washington poderão sofrer “ação decisiva”. O documento prioriza o controle estratégico da Groenlândia e do Canal do Panamá, sinaliza redução do apoio militar à Europa e à Coreia do Sul e reafirma a contenção da China sem confronto direto.

Assinada pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, a estratégia operacionaliza diretrizes já apresentadas na política de segurança nacional, com ênfase no Hemisfério Ocidental e maior exigência de autonomia defensiva dos aliados.

Diretrizes centrais e uso da força

A nova estratégia estabelece que os EUA manterão disposição para o uso rápido da força quando considerarem seus interesses ameaçados. O texto cita como referência recente a ação contra a Venezuela, reforçando uma postura de intervenção seletiva.

O documento invoca o chamado Corolário Trump à Doutrina Monroe, afirmando que Washington está preparada para agir com rapidez e intensidade em sua área de influência. A diretriz retoma a tradição histórica de atuação direta dos EUA na região.

Além disso, a estratégia indica que acordos e parcerias serão condicionados à convergência com os objetivos norte-americanos, redefinindo o papel de aliados em operações conjuntas.

Groenlândia e Canal do Panamá como áreas prioritárias

Entre os eixos estratégicos, o texto destaca a necessidade de garantir acesso militar e comercial a áreas consideradas essenciais, como o Canal do Panamá, o Golfo do México e a Groenlândia.

A Groenlândia, território autônomo vinculado à Dinamarca, é tratada como ativo estratégico no Ártico, o que amplia tensões diplomáticas com aliados da OTAN. Já o Canal do Panamá é apontado como infraestrutura crítica para a segurança e o comércio internacional dos EUA.

A diretriz reforça que o controle de rotas e pontos logísticos estratégicos será central na projeção de poder norte-americano nos próximos anos.

Redução do apoio à Europa e impacto sobre aliados

O documento sinaliza um afastamento dos compromissos tradicionais com a Europa, ao afirmar que a contenção da Rússia deve ser responsabilidade primária dos países europeus. Nesse contexto, os EUA indicam redução gradual de sua presença militar no continente.

A Rússia é classificada principalmente como ameaça nuclear e cibernética, enquanto conflitos regionais passam a ser tratados como responsabilidade dos aliados locais. A diretriz afeta indiretamente a Ucrânia, que dependerá de forma mais intensa do apoio europeu.

A Coreia do Sul também é citada como país que deverá assumir integralmente seus custos de defesa, alinhando-se à política de maior autonomia exigida por Washington.

Relação com a China e equilíbrio estratégico

Em relação à China, a estratégia adota um tom menos confrontacional, afirmando que o objetivo não é dominar ou humilhar Pequim, mas impedir que qualquer potência alcance hegemonia sobre os EUA.

O texto defende a manutenção de força militar suficiente para negociar em termos favoráveis, além de defesas robustas em arquipélagos aliados próximos ao território chinês. A diretriz busca equilíbrio entre dissuasão e negociação, evitando escaladas diretas.

Analistas avaliam que o documento apresenta tensões entre retórica e capacidade operacional, especialmente ao atribuir a aliados do Oriente Médio maior responsabilidade regional enquanto os EUA mantêm presença militar ativa.

Reações internacionais e críticas de aliados

As diretrizes provocaram reações negativas entre aliados históricos. Na quinta-feira (22/01/2026), o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, criticou declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a atuação de aliados da OTAN no Afeganistão.

Pistorius afirmou que as declarações foram desrespeitosas em relação a soldados aliados mortos em combate e defendeu um pedido formal de desculpas. Segundo ele, o respeito entre aliados deve ser mútuo.

As falas também foram criticadas por lideranças do Reino Unido e da Itália, ampliando o desgaste diplomático em um momento de redefinição das alianças militares ocidentais.

*Com informações da Sputnik News.


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