Centenas de migrantes podem ter morrido em naufrágios no Mediterrâneo Central, alerta OIM

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) manifestou profunda preocupação, na segunda-feira (26/01/2026), com relatos de mortes e desaparecimentos após naufrágios recentes no Mediterrâneo Central, ainda em processo de verificação. Há receios de que centenas de pessoas tenham perdido a vida durante a travessia.

Segundo a agência, condições climáticas adversas nos últimos dias dificultaram operações de busca e salvamento, elevando o risco para embarcações precárias. Em um intervalo de dez dias, acredita-se que vários barcos tenham naufragado, com pelo menos três incidentes resultando em 104 mortes entre sexta-feira e domingo.

Para a OIM, os episódios evidenciam os impactos letais do contrabando e do tráfico de migrantes, praticados por redes que operam com impunidade, enviando pessoas ao mar em barcos superlotados e inseguros.

Operações de busca e salvamento no Mediterrâneo Central

A OIM destaca a necessidade urgente de intensificar esforços internacionais para desmantelar redes criminosas e evitar novas perdas de vidas. Em Lampedusa, na Itália, três mortes foram confirmadas após uma operação de busca envolvendo uma embarcação que partiu de Sfax, na Tunísia.

Relatos indicam que uma mãe de gêmeas de cerca de um ano informou que as crianças morreram por hipotermia pouco antes do desembarque. No mesmo incidente, um homem faleceu após a chegada, também por hipotermia, reforçando os riscos extremos enfrentados pelos migrantes nessas rotas.

Sobreviventes relataram ainda que outro barco partiu do mesmo local e não chegou ao destino, elevando a preocupação com um possível novo naufrágio. A OIM segue apurando o destino dos passageiros, apesar de informações incompletas.

Relatos de desaparecimentos e resgates em Malta e Itália

Em Malta, um sobrevivente resgatado por um navio comercial afirmou ter escapado de um naufrágio com pelo menos 50 pessoas mortas ou desaparecidas. Paralelamente, a Guarda Costeira italiana coordenou buscas por embarcações dadas como desaparecidas ou em perigo.

Em um incidente separado, ao menos 51 pessoas teriam morrido após um naufrágio próximo a Tobruk, na Líbia, ocorrido após a passagem do Ciclone Harry, descrito como tempestade excepcionalmente violenta no Mediterrâneo.

A OIM alerta para o perigo extremo do contrabando em embarcações precárias, ressaltando que organizar partidas durante tempestades severas expõe deliberadamente pessoas a risco elevado de morte.

Combate às redes de contrabando e reforço do resgate

Nas primeiras semanas de 2026, a OIM estima centenas de desaparecidos, enquanto buscas seguem em andamento. A agência indica que o número total de vítimas pode ser maior, considerando ao menos 1.340 mortes registradas no Mediterrâneo Central.

A organização defende ações urgentes contra redes de contrabando e tráfico de pessoas, combinadas com ampliação das operações de busca e resgate para salvar vidas e assegurar desembarque seguro na região.

*Com informações da ONU News.


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