As autoridades de saúde da Índia informaram que os riscos de propagação do vírus Nipah foram contidos em tempo hábil, após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental, no terça-feira (27/01/2026). Segundo o Ministério da Saúde indiano, ações de vigilância, rastreamento de contatos e isolamento impediram, até o momento, a expansão do foco identificado.
O vírus Nipah é considerado uma infecção grave, sem vacina disponível e sem tratamento específico, sendo transmitido principalmente por contato com animais infectados, como morcegos e porcos, ou por alimentos contaminados. O manejo clínico baseia-se no controle de complicações e suporte ao paciente.
Letalidade e características da infecção
De acordo com parâmetros internacionais de saúde, a taxa de mortalidade do vírus Nipah varia entre 40% e 75%, percentual superior ao observado em outras infecções virais respiratórias recentes. Em razão desse risco, cada caso confirmado é submetido a monitoramento rigoroso pelas autoridades sanitárias.
Os sintomas iniciais podem se assemelhar aos de uma gripe, incluindo febre, dor de cabeça, dores musculares, dor de garganta e vômitos. Em quadros mais avançados, podem surgir alterações neurológicas, dificuldades respiratórias e inflamação cerebral, com possibilidade de evolução para coma. O período de incubação varia de quatro a 14 dias, podendo, em situações específicas, chegar a 45 dias.
O governo indiano informou que 196 pessoas identificadas como contatos diretos dos pacientes testaram negativo e permaneceram sob observação, sem novos registros até o momento.
Reação internacional e medidas preventivas
Embora nenhum caso tenha sido confirmado fora da Índia, países da Ásia intensificaram protocolos preventivos em aeroportos e fronteiras, diante de informações iniciais sobre possível aumento de ocorrências. Autoridades sanitárias ressaltaram que dados divulgados de forma preliminar eram imprecisos.
Indonésia e Tailândia reforçaram triagens sanitárias, com medição de temperatura, declarações de saúde e monitoramento de passageiros provenientes da Índia. Em Myanmar, o Ministério da Saúde recomendou evitar viagens não essenciais a Bengala Ocidental e orientou viajantes a procurar atendimento médico caso apresentem sintomas após o retorno.
Vietnã e China também anunciaram ampliação da vigilância epidemiológica, com reforço na capacidade de testagem, treinamento de profissionais de saúde e monitoramento em áreas de fronteira.
Histórico do vírus e avaliação de risco
O primeiro surto do vírus Nipah foi registrado em 1998, na Malásia, entre criadores de porcos. O nome da infecção faz referência ao vilarejo onde foi identificada pela primeira vez. Na Índia, os primeiros casos ocorreram em 2001, também em Bengala Ocidental, e um surto em 2018, no estado de Kerala, resultou em 17 mortes.
Especialistas avaliam que a probabilidade de disseminação global ampla é considerada baixa, pois a transmissão entre humanos é limitada e exige contato próximo e prolongado. Além disso, não há registro de casos assintomáticos, o que facilita a identificação e o isolamento rápido dos infectados.
Apesar de os surtos serem raros, o vírus Nipah integra a lista de doenças prioritárias para pesquisa internacional, devido ao potencial de causar emergências sanitárias, especialmente pela ausência de vacina ou medicamento específico.
*Com informações da RFI.











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