Uma greve nacional foi convocada para sexta-feira (30/01/2026) em diversas cidades dos Estados Unidos com a proposta de suspender atividades de trabalho, aulas e consumo em protesto contra operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e a política imigratória do presidente Donald Trump. A mobilização ocorre após duas mortes registradas em ações federais em Minneapolis, neste mês.
Organizadores defendem uma paralisação ampla como forma de pressionar o governo a rever procedimentos de fiscalização migratória e protocolos de abordagem. A campanha, divulgada sob o nome National Shutdown, pede que a população interrompa rotinas econômicas e educacionais durante o dia.
Segundo os ativistas, protestos locais realizados anteriormente em Minnesota reuniram milhares de pessoas e resultaram no fechamento temporário de estabelecimentos comerciais.
Mortes em operações do ICE motivam protestos
Os atos ganharam força após a morte de Renee Good, 37 anos, cidadã americana atingida por disparos durante operação do ICE, e de Alex Pretti, 37 anos, enfermeiro da rede de veteranos, morto em outra ação federal em Minneapolis. Os episódios ocorreram em dias consecutivos.
Outros casos citados por organizadores incluem Keith Porter Jr., 43 anos, morto em Los Angeles, e Silverio Villegas González, 38 anos, atingido em um subúrbio de Chicago. Os movimentos alegam padrão de uso excessivo da força.
O governo federal afirma que os agentes agiram em legítima defesa em todas as ocorrências. Ainda assim, parlamentares de diferentes partidos manifestaram críticas e pediram esclarecimentos sobre os procedimentos adotados.
Organização descentralizada e adesão de entidades
A convocação partiu de um movimento descentralizado, com apoio de grupos comunitários e organizações de direitos civis em cidades como Minneapolis, Cleveland e Nova York. A orientação é que a população evite consumo, trabalho e frequência escolar como forma de pressão econômica.
Entre os apoiadores estão entidades como Defend Immigrant Families Campaign, Council on American–Islamic Relations, Poor People’s Campaign, LA Tenants Union e coletivos estudantis. O objetivo declarado é ampliar o debate sobre direitos de imigrantes e fiscalização policial.
Artistas e figuras públicas divulgaram a paralisação nas redes sociais, defendendo mobilização nacional e revisão das políticas migratórias.
Declarações políticas e reação da Casa Branca
Em publicação na plataforma Truth Social, Donald Trump afirmou que um dos mortos era “agitador” e mencionou vídeos que, segundo ele, justificariam a atuação dos agentes. A administração sustenta que os procedimentos seguem a legislação federal.
Paralelamente, em Washington, democratas e a Casa Branca firmaram acordo temporário para manter o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) por duas semanas, enquanto negociam eventuais restrições às operações do ICE.
O impasse orçamentário envolve propostas de condicionar recursos a mudanças nos protocolos de fiscalização, tema que deve permanecer em debate no Congresso.
*Com informações da RFI.











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