Festa de Iemanjá reúne multidão no Rio Vermelho, em Salvador, com celebrações religiosas, oferendas no mar e presença de autoridades

A Praia do Rio Vermelho amanheceu lotada nas primeiras horas de segunda-feira (02/02/2026), em Salvador, com milhares de pessoas reunidas para celebrar Iemanjá, orixá das religiões de matrizes africanas. Antes das 6h, devotos, pescadores, turistas e sacerdotes já ocupavam a orla com flores, presentes e pedidos, mantendo uma tradição que integra o calendário religioso e cultural da cidade.

A Festa de Iemanjá é realizada anualmente em 2 de fevereiro e, desde 2020, possui reconhecimento oficial como patrimônio cultural de Salvador, consolidando-se como uma das principais manifestações populares da Bahia.

Durante toda a manhã, embarcações saíram ao mar para depositar oferendas, enquanto filas se formaram na Casa de Iemanjá para a entrega de presentes simbólicos, prática associada a pedidos de proteção, saúde e prosperidade.

Tradição religiosa e organização da celebração

Considerada padroeira dos pescadores e marinheiros, Iemanjá é cultuada principalmente no candomblé e na umbanda. A data mobiliza comunidades religiosas, terreiros e associações de pescadores, que organizam procissões, cânticos e rituais ao longo do dia.

Segundo organizadores, a festa ocorre há mais de um século, completando 104 anos de realização contínua, com participação de moradores locais e visitantes de outros estados e países.

Entre os devotos, a advogada Patrícia Barros, que viajou de São Luís (MA), afirmou comparecer anualmente à capital baiana para prestar homenagens. Adepta do candomblé, ela relatou que a presença na celebração integra sua prática religiosa.

Participação de fiéis de outras regiões e do exterior

A programação também atrai estrangeiros. A sacerdotisa Mariana dos Santos, residente na Itália, levou flores e pedidos de familiares e amigos, mantendo a tradição mesmo fora do Brasil.

Segundo ela, a viagem tem como objetivo agradecer e entregar oferendas em nome de pessoas próximas, reforçando o caráter coletivo do ritual.

Ao longo da manhã, grupos organizaram cânticos e rodas de oração, enquanto comerciantes atuaram com venda de flores, velas e objetos religiosos, movimentando a economia local.

Pescadores destacam simbolismo da data

Para os pescadores do bairro, a celebração representa um momento de agradecimento e renovação de pedidos. Muitos participam das saídas de barco que levam os presentes ao mar.

O pescador Nilinho Garrido relatou que a fé em Iemanjá integra o cotidiano da comunidade e que a data é vista como oportunidade para pedir proteção e fartura nas pescarias.

A tradição envolve ainda a entrega de balaios com perfumes, espelhos, sabonetes e flores, itens associados simbolicamente à orixá.

Presença do poder público e reconhecimento cultural

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, participou da programação e destacou o papel da festa como manifestação religiosa e cultural de alcance estadual.

De acordo com o chefe do Executivo, o evento reúne fé, tradição e atividade econômica, além de integrar o calendário oficial do turismo da capital.

Órgãos municipais organizaram esquemas de trânsito, segurança, limpeza urbana e atendimento de saúde para dar suporte ao público durante a celebração.

*Com informações da Agência Brasil.


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