França tem 4,2 milhões sem moradia digna, 350 mil vivem nas ruas e 14 mil em favelas, aponta relatório

A França enfrenta uma crise habitacional que afeta 4,2 milhões de pessoas, segundo relatório da Fundação para a Habitação dos Desfavorecidos, que aponta 350 mil pessoas sem teto, 14 mil vivendo em cerca de 400 favelas e 590 mil alojadas temporariamente em casas de terceiros. O levantamento reúne dados nacionais e relatos de moradores que descrevem impactos financeiros, estruturais e de saúde associados à falta de moradia adequada.

Na segunda-feira (02/02/2026), o documento foi repercutido por veículos da imprensa francesa, que destacaram o crescimento das ocupações informais e a dificuldade de acesso ao sistema público de habitação social. O país registra ainda quase 3 milhões de pessoas na fila por um alojamento subsidiado, indicando pressão prolongada sobre as políticas públicas do setor.

A fundação classifica como moradia inadequada situações que incluem imóveis insalubres, superlotação, espaços improvisados ou permanência forçada em residências de conhecidos, cenário que se expandiu nos últimos anos, especialmente nas áreas metropolitanas.

Favelas e despejos se espalham pela periferia de Paris

Reportagem do jornal La Croix visitou o complexo de Stains, na periferia de Paris, onde cerca de 1.500 pessoas vivem em estruturas improvisadas, sem acesso regular a serviços básicos. De acordo com a fundação, essas ocupações não são casos isolados, mas parte de um conjunto estimado de 400 assentamentos precários em território francês.

Até dezembro de 2025, 14 mil pessoas residiam nesses locais, das quais aproximadamente 10 mil são cidadãos de outros países europeus. A presença de migrantes econômicos e trabalhadores informais é apontada como fator recorrente nesse tipo de ocupação.

O relatório registra ainda 1.484 operações de desmantelamento realizadas entre 01/11/2023 e 31/10/2024. Avaliações citadas por veículos locais indicam que os despejos resultam, em muitos casos, apenas no deslocamento das famílias para outras áreas periféricas, sem solução definitiva de moradia.

Alojamentos temporários e aumento do custo do aluguel

Outro indicador relevante é o crescimento do número de pessoas que dependem de moradia provisória em casas de amigos ou conhecidos, excluindo parentes. Atualmente, 590 mil indivíduos vivem nessa condição, alta de 15% desde 2013 em todo o país e de 30% na região parisiense nos últimos cinco anos.

Dados econômicos apontam que o encarecimento do aluguel supera a evolução salarial. Na região de Paris, os preços das locações subiram quase 60% entre 2002 e 2022, enquanto os salários registraram reajuste médio de 33% no mesmo período, ampliando a dificuldade de acesso à moradia formal.

Especialistas indicam que a diferença entre renda e custo imobiliário limita a capacidade de famílias de baixa renda firmarem contratos regulares, ampliando a dependência de soluções informais ou precárias.

Relatos evidenciam impactos estruturais e de saúde

Moradores ouvidos por veículos locais relataram problemas de infiltração, mofo, falta de isolamento térmico e riscos estruturais, associados a prejuízos à saúde e ao orçamento familiar. Os casos exemplificam situações classificadas pela fundação como “mal alojadas”.

Issiaka, 36 anos, vive há seis anos em um espaço comercial adaptado em Pantin, na região parisiense. Com renda média mensal de € 1.300, relata umidade constante, fungos nas paredes e danos a móveis e roupas, além de sintomas respiratórios. Ele ingressou com ação judicial contra o proprietário do imóvel.

Laure, 40 anos, adquiriu uma casa em Dieppe após um divórcio, mas identificou falhas estruturais graves, incluindo madeira comprometida por fungos e risco de desabamento. O imóvel perdeu valor de mercado e as reformas necessárias superam € 100 mil. Já Fabien, 48 anos, passou meses vivendo em um veículo após dificuldades financeiras e mudança de cidade.

Políticas públicas e demanda por habitação social

O relatório conclui que a oferta de moradias populares não acompanha a demanda, pressionando programas de assistência. Com quase 3 milhões de pessoas aguardando habitação social, a fila se mantém elevada, especialmente em grandes centros urbanos.

Organizações do setor defendem ampliação do parque habitacional público, subsídios ao aluguel e requalificação de imóveis vazios como medidas para reduzir a precariedade. O debate envolve custos orçamentários e planejamento urbano de longo prazo.

Autoridades locais afirmam que os dados servirão de base para reavaliar estratégias de atendimento, enquanto entidades sociais cobram ações estruturais para conter o avanço das moradias inadequadas.

*Com informações da RFI.


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