No sábado (14/02/2026), o Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, inicia a programação do Carnaval de Salvador 2026 com um desfile temático que resgata o legado afro-indígena da cidade de Maricá (RJ). Em seu 52º ano de participação na festa, a entidade leva para a avenida o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, conectando Bahia e Rio de Janeiro por meio de referências históricas e culturais.
O enredo propõe a valorização da memória, ancestralidade e resistência de povos originários e afrodescendentes, incorporando esses elementos ao repertório musical, às fantasias e à estética do cortejo. A proposta integra a programação oficial do Carnaval e reforça o papel do bloco na difusão da cultura afro-brasileira.
A edição também marca a estreia do reinado da Deusa do Ébano Carol Xavier, acompanhada pelas princesas Sarah Moraes e Stephanie Ingrid, que conduzem o bloco durante os dias de desfile nos circuitos oficiais da capital baiana.
Tema e conexão entre Bahia e Rio de Janeiro
Ao eleger Maricá como referência temática, o Ilê Aiyê amplia o enfoque sobre a história deema presença indígena e africana no Brasil, destacando trajetórias de formação cultural fora do eixo baiano. A narrativa será apresentada por meio de músicas, coreografias e figurinos alinhados ao conceito do enredo.
Segundo a organização, o desfile funciona como espaço de educação patrimonial e afirmação identitária, utilizando o Carnaval como instrumento de transmissão de saberes históricos e culturais.
A parceria com o município fluminense vem sendo desenvolvida nos últimos três anos por meio do projeto Ilê in Maricá, que promove oficinas gratuitas de dança, percussão, estética negra, tranças e turbantes em comunidades locais.
Programação oficial dos desfiles
O cronograma começa no sábado (14/02/2026), às 20h, com a tradicional cerimônia de saída no Circuito Mãe Hilda, no Curuzu. O ritual reúne cânticos, percussão e elementos simbólicos de matriz africana antes do início do cortejo.
Após a concentração no terreiro Ilê Axé Jitolú, o trio segue para o Plano Inclinado da Liberdade. O primeiro desfile no Circuito Osmar ocorre às 2h do domingo (15/02/2026), com percurso até a Praça Castro Alves.
Na segunda-feira (16/02/2026), a concentração acontece às 18h, com desfile às 19h no mesmo circuito. Já na terça-feira (17/02/2026), o bloco encerra a programação com a tradicional pipoca, novamente no Osmar, a partir das 18h.
Venda de fantasias e participação do público
As fantasias estão disponíveis para venda presencial na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, de segunda a sexta, das 8h às 17h, com atendimento ampliado até 20h na semana do Carnaval.
O valor informado é de R$ 1.000, incluindo a fantasia utilizada como credencial de acesso ao bloco nos dias oficiais de desfile. A entrega aos associados começa na quarta-feira (11/02/2026), às 14h.
A organização orienta que a aquisição antecipada garante participação nos cortejos e acesso às áreas exclusivas do bloco.
Bloco Erê reúne crianças e adolescentes
O domingo (15/02/2026), às 16h, será reservado para a saída do Bloco Erê, ala infantil do Ilê Aiyê, no Circuito Mãe Hilda. A expectativa é reunir mais de 800 crianças e adolescentes, acompanhados pela Banda Erê.
Criado em 1992, o grupo desenvolve atividades voltadas à formação cultural e valorização da identidade afro-brasileira entre o público infantil. Durante o desfile, os participantes seguem o mesmo enredo do bloco principal.
As fantasias infantis, compostas por camisa e short, serão distribuídas gratuitamente na sede da entidade no dia do evento, com camisas também destinadas a pais e responsáveis para apoio à segurança.
Apoio institucional
O Carnaval do Ilê Aiyê é realizado em parceria com o Ministério da Cultura, com produção da Caderno 2 Produções e patrocínio de instituições públicas e privadas por meio de incentivos culturais.
Entre os apoiadores estão Grupo Belov, IFood, Prefeitura de Salvador, Prefeitura de Maricá, Governo do Estado da Bahia, Programa Ouro Negro, ITS Brasil e Jornal A Tarde, responsáveis por viabilizar as atividades do bloco ao longo do ano.
A organização informou que as ações culturais incluem formação artística, oficinas e projetos educacionais voltados à preservação da cultura afro-brasileira.










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