Irã e Estados Unidos retomam negociações em Omã sob ameaça militar e foco no programa nuclear

Representantes do Irã e dos Estados Unidos se reúnem nesta sexta-feira (06/02/2026), em Omã, para retomar o diálogo diplomático após semanas de troca de ameaças militares e aumento da presença naval americana no Golfo. O encontro ocorre após a interrupção das conversas bilaterais desde os ataques norte-americanos a centrais nucleares iranianas em junho, durante a guerra de 12 dias iniciada depois de uma ofensiva israelense contra o território iraniano.

As tratativas serão mediadas pelo governo omanense e conduzidas pelo enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e pelo chanceler iraniano Abbas Araghchi, em Mascate. Segundo Teerã, a expectativa é realizar negociações “sérias” e restritas ao dossiê nuclear.

O governo americano, por sua vez, indicou que pretende ampliar a pauta para segurança regional, mísseis balísticos e atuação de grupos aliados do Irã, mantendo a pressão diplomática acompanhada de demonstrações militares.

Estrutura das negociações e posições iniciais

O encontro foi confirmado na quarta-feira (04/02/2026) por autoridades de ambos os lados. Trata-se da primeira rodada formal de diálogo direto desde a escalada militar que interrompeu os contatos anteriores.

De acordo com o governo iraniano, o foco será exclusivamente o programa nuclear, com o objetivo de negociar a suspensão de sanções econômicas internacionais que afetam setores estratégicos da economia do país. Teerã rejeita incluir discussões sobre seu programa balístico ou alianças regionais.

Washington sinalizou posição distinta. Integrantes do governo afirmaram que qualquer avanço diplomático dependerá de compromissos mais amplos, incluindo limites à capacidade militar iraniana e mudanças na política externa do país no Oriente Médio.

Pressão militar e declarações públicas

Durante a semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Irã busca evitar novos ataques e mencionou o envio de uma grande frota naval para a região. O Pentágono determinou a mobilização do porta-aviões USS Abraham Lincoln e embarcações de apoio para o Oriente Médio, movimento interpretado como instrumento de dissuasão.

Em resposta, autoridades militares iranianas afirmaram que bases americanas no Golfo podem ser alvo em caso de ofensiva. O porta-voz do Exército, general Mohammad Akraminia, declarou que o país está preparado para reagir a qualquer ação externa.

O conselheiro do aiatolá Ali Khamenei e ex-ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Velayati, reiterou que o Irã possui capacidade de defesa e acesso estratégico a instalações militares americanas na região.

Histórico recente e impasses sobre o nuclear

As negociações ocorrem após um período de instabilidade interna no Irã e da intensificação do confronto diplomático com Washington. Antes da guerra de 12 dias, os dois países haviam retomado contatos preliminares, interrompidos por divergências quanto ao nível de enriquecimento de urânio permitido a Teerã.

Países ocidentais afirmam que o programa pode resultar em capacidade de produção de arma nuclear, enquanto o governo iraniano sustenta que as atividades têm fins científicos e energéticos.

O vice-presidente americano, JD Vance, declarou que a prioridade dos Estados Unidos é impedir que o Irã obtenha armamento nuclear. Segundo ele, a diplomacia continuará condicionada a garantias verificáveis sobre o programa.

Reações internacionais e mediação regional

A escolha de Omã como sede do encontro mantém a tradição do país de atuar como mediador neutro em disputas regionais. Autoridades locais facilitaram rodadas anteriores de conversas indiretas entre Washington e Teerã.

Líderes europeus também manifestaram preocupação com o risco de escalada militar. O chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu que as partes iniciem negociações efetivas para evitar novo confronto armado.

Enquanto isso, a posição iraniana permanece centrada na retirada de sanções e no reconhecimento do direito ao uso pacífico de energia nuclear, ao passo que os Estados Unidos condicionam qualquer acordo a compromissos mais abrangentes de segurança.

*Com informações da RFI.


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