Cachês de shows entram em debate na Câmara Municipal de Feira de Santana; Vereador defende artistas e cobra critérios nas contratações públicas

A discussão sobre valores de cachês artísticos pagos com recursos públicos voltou à pauta da Câmara Municipal de Feira de Santana, quinta-feira (05/02/2026), após pronunciamento do vereador Lulinha da Gente (UB). O parlamentar defendeu maior equilíbrio nas análises sobre contratações para festas populares e afirmou que os artistas não devem ser responsabilizados isoladamente pelos custos elevados dos shows.

Durante a sessão ordinária, o vereador declarou solidariedade a cantores e bandas diante de críticas relacionadas aos preços praticados em eventos financiados por estados e municípios. Segundo ele, parte do aumento dos valores pode estar ligada à atuação de intermediários comerciais.

De acordo com Lulinha, empresários compram datas de apresentações e posteriormente revendem os shows, o que pode alterar o preço final pago pelo poder público.

Intermediação influencia valores

O vereador explicou que, em algumas situações, empresários adquirem os espetáculos e revendem por valores superiores, enquanto os artistas recebem apenas uma parcela do montante total. Conforme relatou, essa dinâmica pode gerar diferença entre o cachê contratado e o valor efetivamente destinado aos músicos.

Para o parlamentar, a existência desse modelo de negociação exige avaliação detalhada por parte das administrações municipais, a fim de evitar distorções e ampliar a transparência nos contratos.

Ele acrescentou que a discussão deve considerar toda a cadeia de produção cultural, incluindo produtores, técnicos e equipes de apoio.

Critérios adotados pela Prefeitura

Lulinha afirmou que o prefeito José Ronaldo tem adotado cautela nas contratações, buscando equilíbrio entre atrações de maior projeção e artistas de menor custo, com o objetivo de adequar as despesas ao orçamento municipal.

Segundo o vereador, essa estratégia foi aplicada em eventos recentes nos distritos, como a festa de Tiquaruçu, onde a programação reuniu diferentes perfis de bandas. A medida, conforme explicou, visa manter a oferta cultural sem comprometer as finanças públicas.

O parlamentar destacou que o público local demanda apresentações musicais variadas, o que exige planejamento prévio na definição das grades.

Apoio do Estado e composição das festas

Ainda de acordo com Lulinha, parte dos artistas que se apresentaram em Feira de Santana não foi contratada diretamente pela Prefeitura, mas participou das festividades por meio de apoio do Governo do Estado.

Essa cooperação, segundo ele, reduz o impacto financeiro para o município e amplia as opções de atrações disponíveis nos eventos.

O vereador defendeu que as contratações continuem sendo analisadas com base em critérios técnicos, custos e fontes de financiamento, evitando generalizações sobre valores praticados pelo mercado.

O tema segue em debate no Legislativo, especialmente diante de propostas que discutem limites de gastos, controle orçamentário e transparência nas contratações artísticas.


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