A população brasileira residente no exterior chegou a 4.996.951 pessoas, segundo estimativa oficial mais recente do Ministério das Relações Exteriores, e parte desse contingente tem buscado empreender em outros países como alternativa de renda e mobilidade profissional. Estudo conduzido por universidades brasileiras analisou o perfil, os setores mais escolhidos, as estratégias de adaptação e os obstáculos regulatórios enfrentados por esses empresários.
Os dados indicam que 45% dos brasileiros estão nos Estados Unidos, cerca de 34% na Europa, 13% na América do Sul e menos de 1% na África. A pesquisa mostra que muitos migraram em busca de melhores condições de vida, segurança e estabilidade econômica, fatores que influenciam a decisão de abrir negócios próprios.
Entre as áreas mais frequentes de atuação estão culinária, estética, construção civil e serviços voltados à comunidade brasileira, além de atividades direcionadas ao consumidor local.
Perfil do empreendedor brasileiro no exterior
De acordo com o levantamento acadêmico, realizado ao longo de uma década com mais de 400 empreendedores entrevistados, o perfil predominante reúne capacidade de adaptação cultural, autonomia, conhecimento de idiomas e disposição para assumir riscos.
O estudo aponta a existência de oportunidades no chamado nicho étnico, voltado à diáspora brasileira, e também na integração com o mercado local. Produtos e serviços associados à cultura nacional, como churrascarias de rodízio, açaí, pão de queijo, estética corporal e capoeira, têm presença em diversos países.
No aspecto financeiro, a maioria dos pequenos e médios negócios depende de capital próprio ou linhas de crédito acessadas após a regularização migratória, o que limita a expansão inicial das empresas.
Estratégias para inserção e competitividade
O pesquisador responsável pelo estudo afirma que conhecer a legislação local, dominar o idioma e compreender os hábitos de consumo são fatores determinantes para reduzir riscos de fracasso. A adequação às normas trabalhistas, tributárias e sanitárias também é apontada como etapa essencial.
A análise considera ainda nível de escolaridade, experiência profissional, redes de contato e uso de marketing digital como diferenciais competitivos. A familiaridade com redes sociais é citada como ferramenta relevante para divulgação de produtos e serviços.
Além disso, o planejamento inclui gestão financeira, posicionamento de marca e definição de público-alvo, práticas semelhantes às exigidas no empreendedorismo doméstico.
Barreiras legais e burocracia
Entre os principais entraves relatados estão processos migratórios complexos, exigências de visto, validação de diplomas e abertura de contas empresariais. Em alguns países, a autorização para empreender depende de comprovação prévia de investimento ou viabilidade econômica.
Empreendedores também relatam dificuldades para regularizar documentação, acessar crédito e cumprir exigências administrativas, o que pode atrasar a formalização dos negócios.
Outro desafio citado é o equilíbrio entre vida profissional e familiar, especialmente para proprietários de pequenas empresas que concentram múltiplas funções operacionais.
Distribuição geográfica e recorte demográfico
Na Europa, Portugal concentra o maior número de brasileiros, enquanto a França abriga entre 120 mil e 130 mil residentes, segundo estimativas mencionadas na pesquisa. Nesse país, mulheres representam cerca de 75% da comunidade brasileira, com predominância de pessoas na faixa dos 30 anos.
O levantamento aponta ainda níveis elevados de escolaridade, com parcela significativa de graduados e pós-graduados, característica que pode influenciar a criação de negócios especializados.
Para os pesquisadores, o sucesso do empreendedor no exterior é avaliado não apenas pelo lucro, mas também por estabilidade profissional, produtividade e qualidade de vida, considerados indicadores de sustentabilidade de carreira.
*Com informações da RFI.










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