Produtores rurais participaram de atividades técnicas sobre produção e expansão do umbu gigante durante o sábado (07/02/2026), na Fazenda Experimental Pedra Mole, no distrito de Bate Pé, em Vitória da Conquista. O encontro integrou o 3º Dia de Campo, promovido pela prefeitura com apoio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), com foco na diversificação agrícola e no aumento da renda no semiárido.
O evento reuniu dezenas de agricultores interessados em adotar a variedade, considerada alternativa produtiva para áreas com restrição hídrica. A programação incluiu palestras técnicas, apresentação de resultados de campo e distribuição de mudas.
A proposta central foi orientar o plantio e incentivar a implantação de pomares comerciais, com apoio institucional para multiplicação da cultura em outros municípios.
Cooperação técnica e disseminação da cultura
Durante a abertura, o diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, destacou o acordo de cooperação técnica firmado entre o Estado e o município, voltado à expansão do cultivo em escala regional.
Segundo o gestor, a estratégia prevê a criação de jardins clonais em diferentes cidades, utilizando a experiência de Vitória da Conquista como referência para padronização de mudas e transferência de tecnologia.
A iniciativa busca ampliar o acesso dos agricultores familiares à cultura do umbu gigante, com expectativa de geração de novas fontes de renda.
Ampliação de viveiros e metas locais
O secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Breno Farias, informou que mais da metade do território do município está inserida no semiárido, condição considerada adequada para o cultivo da espécie.
De acordo com ele, a Fazenda Experimental passa por expansão do viveiro para dobrar a produção anual de mudas, de 5 mil para 10 mil unidades, aumentando a capacidade de atendimento aos produtores interessados.
A gestão municipal também declarou intenção de consolidar o município como polo produtor, apoiando outras cidades por meio da parceria com a Seagri.
Adesão de produtores e orientações técnicas
Após as palestras, agricultores receberam orientações práticas sobre preparo do solo, manejo, enxertia e período ideal de plantio. Parte dos participantes levou mudas para iniciar o cultivo em propriedades rurais.
O agricultor Nelito Araújo, de 70 anos, afirmou que pretende diversificar a produção com a nova variedade, utilizando o fruto para processamento em polpa e doces, além de complementar a renda obtida com mandioca e palma.
Os organizadores destacaram que a adoção do umbu gigante pode reduzir a dependência de culturas sazonais, ampliando a estabilidade econômica das famílias do campo.
Características e vantagens do umbu gigante
Entre os diferenciais apresentados está o tamanho do fruto, equivalente a até três unidades do umbu tradicional, resultando em maior volume de polpa e melhor aproveitamento industrial.
O valor de comercialização também é superior, com o quilo cotado a partir de R$ 15, enquanto o fruto comum é vendido por cerca de R$ 10 por litro. Há ainda a categoria premium, com frutos acima de 130 gramas.
A espécie surgiu por seleção natural, sem desenvolvimento laboratorial, e o cultivo é feito por enxerto, com plantio preferencial no período chuvoso. As raízes tuberosas favorecem o armazenamento de água, conferindo resistência à seca, característica relevante para o semiárido.










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