O governo brasileiro ainda não adotou medidas práticas de apoio a Cuba, apesar do agravamento da crise energética na ilha, segundo avaliação de especialistas em relações internacionais. O tema ganhou repercussão após declarações públicas e a ausência de ações concretas por parte do Palácio do Planalto, enquanto outros países anunciaram assistência humanitária.
A escassez de combustível em Havana tem impactado setores estratégicos e o abastecimento da população, levando o governo cubano a buscar apoio externo. Nesse cenário, o México enviou ajuda humanitária, e Rússia e China sinalizaram cooperação logística e energética.
O Brasil manteve apenas manifestações diplomáticas, sem anúncios de envio de insumos ou recursos, o que, de acordo com analistas, reflete cálculo político interno e cautela diante do ambiente eleitoral.
Pressão geopolítica e impacto regional
A conjuntura internacional é marcada por mudanças na estratégia de segurança dos Estados Unidos, que reforçam a influência sobre o chamado Hemisfério Ocidental. A política externa norte-americana tem repercussões diretas na América Latina, especialmente no setor energético.
Desde janeiro, Washington ampliou sua participação no mercado de petróleo venezuelano, reduzindo o fornecimento que historicamente abastecia Cuba. A dependência de importações agravou a crise de combustível na ilha.
A situação alterou o equilíbrio regional e levou governos latino-americanos a definirem posicionamentos distintos diante da emergência cubana.
México envia ajuda e Brasil adota cautela
A presidente Claudia Sheinbaum autorizou envio de ajuda humanitária a Cuba, medida interpretada como resposta direta às necessidades imediatas da população. A iniciativa incluiu alimentos e suprimentos básicos.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discursos que Cuba enfrenta pressões externas e defendeu solidariedade ao país caribenho, mas não houve detalhamento de ações executivas ou logísticas.
Para a professora Ana Carolina Marson, a postura brasileira segue um padrão descrito como “política externa pendular”, alternando aproximação e distanciamento dos EUA conforme o contexto.
Avaliação de especialistas
Segundo Marson, o Brasil historicamente atua como mediador e conciliador, evitando confrontos diretos. Esse perfil explicaria a ausência de iniciativas mais incisivas, mesmo diante de crises regionais.
A analista afirma que a proximidade das eleições presidenciais influencia decisões diplomáticas, pois medidas de apoio a Cuba poderiam ser exploradas politicamente por setores de oposição. O tema costuma gerar divergências no debate público nacional.
Ela acrescenta que, em cenários eleitorais, governos tendem a reduzir riscos externos que possam afetar a percepção interna do eleitorado, priorizando estabilidade política.
Mudanças na política externa brasileira
Nos primeiros mandatos de Lula e no governo Dilma Rousseff, o Ministério das Relações Exteriores adotou a estratégia denominada “política externa ativa e altiva”, com maior protagonismo em fóruns multilaterais.
De acordo com especialistas, o atual cenário internacional apresenta redução do espaço para mediação diplomática, diante do enfraquecimento de organismos multilaterais e do aumento de disputas geopolíticas entre potências.
Esse ambiente limita iniciativas autônomas de países em desenvolvimento e amplia a influência de decisões tomadas por Washington sobre parceiros latino-americanos.
Contexto da crise cubana
Cuba enfrenta sanções econômicas, restrições comerciais e dependência de importação de petróleo, fatores que intensificaram a escassez de energia. A redução do fornecimento venezuelano ampliou o impacto sobre transporte, indústria e serviços.
Com apoio externo ainda incerto por parte do Brasil, a ilha mantém negociações com parceiros estratégicos para garantir suprimentos essenciais.
O desfecho das tratativas regionais pode influenciar o posicionamento diplomático brasileiro nos próximos meses.
*Com informações da Agência Brasil.










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