O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (18/02/2026) o arquivamento do inquérito que investigava a ex-deputada Carla Zambelli pelos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação. A decisão acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República, que concluiu não haver elementos suficientes para oferecer denúncia.
A apuração havia sido instaurada após declarações públicas de Zambelli indicando que permaneceria fora do país e buscaria asilo político, além de mencionar a adoção de estratégias semelhantes às utilizadas por aliados políticos. O procedimento foi aberto antes de sua prisão no exterior.
Na decisão, Moraes registrou que o pedido do Ministério Público atendia aos requisitos legais e determinou o encerramento da investigação.
“Acolho a manifestação da Procuradoria-Geral da República e defiro o arquivamento desta investigação”, escreveu o ministro.
Prisão e fuga internacional
A ex-parlamentar foi presa em Roma, capital da Itália, após deixar o Brasil para evitar o cumprimento de mandado de prisão expedido pelo STF. Ela possui dupla cidadania, o que possibilitou sua permanência no exterior enquanto buscava alternativas jurídicas.
Zambelli já havia sido condenada a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça, caso ocorrido em 2023. Segundo as investigações, a ação resultou na emissão de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão indevido.
De acordo com os autos, a execução técnica do ataque foi realizada por Walter Delgatti, que confirmou ter atuado a mando da então deputada. Ambos foram responsabilizados judicialmente no processo relacionado ao episódio.
Extradição e próximos passos
Após a prisão, o governo brasileiro formalizou pedido de extradição para que a ex-parlamentar cumpra a pena no país. O processo tramita perante a Justiça italiana, que deverá avaliar os requisitos legais e eventuais impedimentos previstos na legislação local.
A análise envolve critérios diplomáticos e jurídicos, incluindo a natureza dos crimes e as garantias processuais. Enquanto a decisão não é proferida, Zambelli permanece sob custódia das autoridades italianas.
Com o arquivamento do inquérito por obstrução e coação, permanecem válidas apenas as condenações já definidas pelo STF e os desdobramentos ligados ao pedido de extradição. O encerramento da nova investigação reduz o número de frentes processuais abertas contra a ex-deputada.
*Com informações da Agência Brasil.











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