Nesta terça-feira (24/02/2026), o conflito iniciado com a invasão ordenada por Vladimir Putin completa quatro anos, mantendo a Ucrânia sob combates contínuos, negociações estagnadas e pressão econômica e humanitária. O aniversário ocorre sem perspectiva concreta de cessar-fogo, enquanto aliados europeus reforçam apoio político e financeiro e persistem divergências internas sobre novas sanções e assistência militar.
Relatos publicados por veículos franceses como Libération, Le Figaro e Le Monde indicam esgotamento da população, combates ao longo de mais de mil quilômetros de frente e ganhos territoriais limitados de ambos os lados, apesar do elevado número de baixas mensais. As estimativas militares citadas apontam dezenas de milhares de mortos e feridos a cada mês.
Autoridades ucranianas afirmam que cerca de 20% do território permanece sob controle russo, sobretudo nas regiões leste e sul, enquanto as Forças Armadas de Kiev realizam contraofensivas localizadas. Paralelamente, a guerra evoluiu para um cenário de uso intensivo de drones, robôs terrestres e sistemas de interferência eletrônica, alterando a dinâmica do campo de batalha.
Combates prolongados e desgaste humano
A duração do conflito já supera marcos históricos de guerras anteriores na Europa. Cidades próximas à linha de frente operam com infraestrutura reduzida, deslocamentos constantes de civis e fornecimento irregular de energia. Em áreas como Kherson e Donbass, moradores relatam rotinas marcadas por alertas aéreos e ataques aéreos frequentes.
O emprego de redes artesanais, bloqueadores de sinal e veículos não tripulados tornou-se parte da estratégia defensiva ucraniana. Robôs controlados remotamente são utilizados para transportar suprimentos e evacuar feridos, reduzindo a exposição de soldados em zonas monitoradas por drones inimigos.
Estimativas militares citadas pela imprensa internacional calculam entre 1,5 milhão e 2 milhões de baixas militares acumuladas desde 2022, somando mortos e feridos dos dois lados, além de milhares de vítimas civis. Não há balanço oficial consolidado.
União Europeia reforça apoio e enfrenta vetos internos
A União Europeia intensificou manifestações públicas de apoio no aniversário da guerra. Prédios institucionais em Bruxelas foram iluminados com as cores da bandeira ucraniana, e líderes do bloco participaram de eventos oficiais com o presidente Volodymyr Zelensky.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, participaram de encontros em Kiev para reafirmar compromissos financeiros e institucionais.
Apesar do apoio majoritário, vetos da Hungria e restrições adotadas pela Eslováquia dificultaram a aprovação de novos pacotes de sanções e empréstimos. Um plano de até € 90 bilhões em assistência permanece sob negociação, evidenciando divergências políticas internas sobre custos e riscos do envolvimento europeu.
Diplomacia travada e mediação internacional
As conversas de paz mais recentes ocorreram em Genebra, mediadas pelos Estados Unidos, mas terminaram sem avanços significativos. As delegações classificaram as discussões como complexas e sem consenso sobre territórios ocupados ou garantias de segurança.
Zelensky defende cessar-fogo acompanhado de garantias internacionais, enquanto Moscou mantém exigências territoriais. Países europeus avaliam com cautela a possibilidade de envio de tropas, temendo ampliação do confronto.
A OTAN segue como ponto de tensão estratégica, citada por Moscou como justificativa para a invasão e por Kiev como elemento de proteção futura. Declarações públicas também foram concedidas à BBC, nas quais Zelensky afirmou que a soberania ucraniana permanece inegociável.
Economia, reconstrução e cenário futuro
A guerra provocou danos extensos à infraestrutura energética, industrial e de transporte, resultando em déficits fiscais e dependência de recursos externos. Relatórios de organismos multilaterais estimam que a reconstrução poderá ultrapassar centenas de bilhões de dólares na próxima década.
Enquanto isso, a Rússia enfrenta sanções comerciais e redirecionamento de exportações de energia, e a Ucrânia tenta avançar em reformas institucionais e políticas anticorrupção para manter apoio internacional.
Sem convergência diplomática, o conflito segue caracterizado por avanços territoriais lentos, perdas elevadas e impasse político, mantendo a região em estado de instabilidade prolongada.
*Com informações da RFI.








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