O relator da comissão parlamentar mista de inquérito que apura irregularidades no sistema previdenciário afirmou, na segunda-feira (23/02/2026), que empresas vinculadas à empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos teriam recebido mais de R$ 156 milhões provenientes de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas. A declaração ocorreu durante depoimento na CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o deputado Alfredo Gaspar, os valores identificados fazem parte de um fluxo financeiro classificado pela comissão como irregular. Ele afirmou que as empresas ligadas à depoente estariam inseridas em um circuito investigado por lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos.
A empresária compareceu à comissão amparada por habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que garantiu o direito de permanecer em silêncio sobre perguntas que pudessem gerar autoincriminação.
Acusações apresentadas pelo relator
Durante a oitiva, Alfredo Gaspar declarou que os recursos teriam sido desviados de benefícios previdenciários e direcionados às empresas registradas em nome de Ingrid. O parlamentar apontou indícios de uma estrutura financeira voltada à dispersão de valores entre pessoas físicas e jurídicas.
Ele questionou a alegação de que toda a gestão operacional estava sob responsabilidade do marido da empresária, Cícero Marcelino de Souza Santos, atualmente preso. Ingrid afirmou que não participava das movimentações bancárias e que desconhecia qualquer irregularidade.
De acordo com o relator, parte das transações teria sido utilizada para remunerar agentes públicos, caracterizando possível pagamento de propinas. As informações constam em relatórios preliminares analisados pela comissão.
Vínculos com entidade associativa
A empresária foi apontada como destinatária de recursos oriundos da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), organização que mantém acordos com o INSS para intermediação de serviços a beneficiários.
A CPMI investiga se contratos associativos foram utilizados para efetuar descontos automáticos não autorizados em aposentadorias e pensões. O marido de Ingrid é citado como operador ligado ao presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido.
Em depoimento, a empresária declarou que, desde 2015, dedicava-se exclusivamente à família e que as decisões administrativas eram conduzidas pelo esposo. Ela afirmou ter sido surpreendida pela operação policial e negou envolvimento direto em fraudes.
Sessão suspensa e manifestações
Durante a audiência, Ingrid apresentou mal-estar, o que levou à suspensão temporária do depoimento. Após a retomada dos trabalhos, ela não retornou ao plenário.
O relator registrou que a condução ocorreu dentro dos limites regimentais e reiterou que a apuração busca identificar responsáveis por prejuízos financeiros a aposentados e pensionistas.
A senadora Damares Alves, do Republicanos, presidente da Comissão de Direitos Humanos, afirmou que familiares de investigados também sofrem impactos com a exposição pública do caso e relatou visita à empresária no atendimento médico do Senado.
Próximos passos da investigação
A comissão analisa quebras de sigilo bancário e fiscal para rastrear o fluxo dos recursos. Entre os nomes citados está o empresário Daniel Vorcaro, cujos dados são considerados estratégicos para aprofundar a apuração.
Parlamentares defendem a consolidação de relatórios técnicos e novas oitivas para delimitar responsabilidades. O caso integra investigação mais ampla sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, intermediação de entidades e possível corrupção de agentes públicos.
*Com informações da Agência Senado.








Deixe um comentário