Senadores cobram da Meta mais rastreabilidade, métricas e reparação a vítimas de golpes durante CPI do Crime Organizado

A Meta foi pressionada por senadores a ampliar a rastreabilidade de conteúdos ilícitos, divulgar métricas sobre fraudes e adotar medidas de reparação a usuários prejudicados por golpes, durante depoimento na CPI do Crime Organizado, realizado na terça-feira (24/02/2026). Parlamentares afirmaram que a empresa possui capacidade técnica e financeira para agir preventivamente, independentemente de decisões judiciais.

A direção da companhia na América Latina foi representada por Yana Dumaresq Sobral Alves, que informou que a empresa investe em modernização de sistemas de detecção automática, inteligência artificial e remoção proativa de conteúdos enganosos. Segundo ela, a atuação inclui revisão contínua e colaboração com autoridades públicas.

A Meta é responsável pelas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, utilizadas por milhões de brasileiros, o que, segundo os senadores, amplia o impacto de golpes financeiros disseminados nesses ambientes digitais.

Cobrança por dados e responsabilidade empresarial

O relator da comissão, Alessandro Vieira, criticou a ausência de dados detalhados sobre denúncias recebidas, contas removidas e ocorrências de golpes no Brasil. Para ele, empresas com grande base de usuários precisam apresentar diagnósticos específicos do mercado nacional.

De acordo com informações citadas pelo senador, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 56 milhões de brasileiros sofrem golpes online a cada ano, com prejuízos estimados em mais de R$ 50 bilhões. O levantamento integra o Anuário de Segurança Pública.

Vieira argumentou que a empresa deve assumir responsabilidade proporcional ao volume de anúncios e receitas geradas, defendendo que a atuação não se limite à remoção de conteúdos apenas após denúncias dos usuários.

Posição da Meta e funcionamento das denúncias

Yana Dumaresq afirmou que a cadeia de golpes digitais envolve múltiplos ambientes, nem sempre restritos às plataformas da empresa, o que dificultaria a consolidação de estatísticas. Segundo ela, anúncios aparentemente regulares podem redirecionar usuários para páginas externas, onde o golpe é concluído.

A executiva declarou que mais de 90% das remoções realizadas em 2024 ocorreram antes de relatos formais, por meio de sistemas automatizados de monitoramento contínuo. Ela negou omissão e informou que equipes atuam 24 horas por dia.

Os senadores, contudo, sustentaram que o modelo transfere excessivamente a responsabilidade ao usuário, já que a receita publicitária decorre do alcance pago dos anúncios veiculados nas plataformas.

Debate sobre verificação de contas e WhatsApp

Parlamentares também questionaram o serviço Meta Verified, modalidade paga de verificação de identidade. Para eles, o selo pode induzir usuários a interpretar o recurso como garantia integral de segurança.

Dumaresq explicou que o produto tem o objetivo de estimular maior envio de dados cadastrais e reforçar a autenticidade das contas, mas afirmou que todas as contas passam por verificações básicas, independentemente da assinatura.

O uso do WhatsApp Business foi citado por Vieira como ponto de atenção, devido à possibilidade de exploração por organizações criminosas. A representante afirmou que a empresa mantém retenção de registros de IP, dados cadastrais e cooperação com autoridades, conforme o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.

Exploração infantil, apostas ilegais e cooperação institucional

O tema da exploração sexual de menores também foi abordado, com menção a estudos do Human Trafficking Institute, que apontam uso de redes sociais para aliciamento. Senadores questionaram a capacidade de impedir a circulação de material ilícito.

A executiva declarou que o assunto é tratado como prioridade interna, com equipes dedicadas a detecção e remoção de conteúdos relacionados a abuso infantil.

Também houve questionamentos sobre anúncios de apostas ilegais. Dumaresq informou que a empresa exige comprovação de regularidade junto à Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e remove conteúdos irregulares após verificação.

Estratégias de prevenção e números globais

A Meta relatou investimento em machine learning, reconhecimento de padrões suspeitos, checagem prévia de anúncios e verificação ampliada de anunciantes, incluindo análise de identidade e histórico comportamental.

Segundo a executiva, em 2025 foram removidos globalmente mais de 134 milhões de anúncios fraudulentos e desarticuladas cerca de 12 milhões de contas ligadas a redes criminosas nas três plataformas.

Ela defendeu que o combate a golpes exige parceria entre empresas de tecnologia, autoridades públicas e usuários, com troca de informações e aperfeiçoamento contínuo de mecanismos de proteção.

*Com informações da Agência Senado.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading