Juros subiram para famílias e empresas em janeiro de 2026, aponta BC

As taxas médias de juros cobradas de famílias e empresas registraram alta em janeiro, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas na quarta-feira (25/02/2026) pelo Banco Central do Brasil (BC). Para pessoas físicas, a taxa média alcançou 61% ao ano, com acréscimo de 0,9 ponto percentual no mês e 6,7 pontos percentuais em 12 meses.

Entre as modalidades, o cartão de crédito parcelado apresentou elevação de 6,8 p.p. no mês e 17,7 p.p. em 12 meses, atingindo 194,9% ao ano. Já o crédito rotativo do cartão permaneceu com os maiores encargos do mercado, mesmo após recuos mensais, fechando janeiro em 424,5% ao ano.

No caso das empresas, a taxa média ficou em 25,2% ao ano, com alta de 1,6 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses, influenciada por operações de capital de giro, desconto de duplicatas, cheque especial e cartão rotativo empresarial.

Cartão de crédito e crédito pessoal lideram altas

O levantamento mostra que o crédito rotativo, utilizado quando o consumidor paga apenas parte da fatura, continua como a linha mais cara. Após 30 dias, a dívida é parcelada automaticamente, mantendo juros elevados.

Também houve aumento nas taxas de crédito pessoal não consignado (1,5 p.p.), financiamento de veículos (1,3 p.p.) e consignado para trabalhadores do setor privado (1,2 p.p.), ampliando o custo médio do endividamento das famílias.

Essas operações fazem parte do crédito livre, modalidade em que instituições financeiras definem taxas conforme as condições de mercado.

Crédito direcionado mantém taxas menores

No crédito direcionado, que segue regras do governo para setores como habitação, rural e infraestrutura, os juros permaneceram mais baixos. Para pessoas físicas, a taxa média ficou em 11,2% ao ano, estável no mês.

Para empresas, os juros ficaram em 13% ao ano, com alta de 0,8 p.p. no mês e recuo de 0,7 p.p. em 12 meses.

A diferença entre as modalidades reflete subsídios e condições específicas previstas em políticas públicas.

Selic, spread bancário e custo do crédito

Considerando recursos livres e direcionados, a taxa média das novas contratações atingiu 32,8% ao ano, com aumento de 0,7 p.p. no mês e 2,9 p.p. em 12 meses.

O movimento acompanha o ciclo de alta da taxa básica Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), também ligado ao Banco Central. A elevação encarece empréstimos e reduz o consumo, como instrumento de controle inflacionário.

O spread bancário, diferença entre o custo de captação e o juro cobrado ao cliente, subiu para 21,9 p.p., com aumento mensal e anual.

Concessões, estoque de crédito e inadimplência

As concessões de crédito somaram R$ 651,5 bilhões em janeiro, com alta de 1,5% no mês, impulsionadas por operações com empresas e famílias. Em 12 meses, o crescimento foi de 9,4%.

O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 7,115 trilhões, com leve recuo mensal e avanço anual de 10,1%. Já o crédito ampliado ao setor não financeiro chegou a R$ 20,812 trilhões.

A inadimplência acima de 90 dias atingiu 4,2%, sendo 5,2% entre famílias e 2,6% entre empresas, indicando aumento dos atrasos nos pagamentos.

Endividamento das famílias cresce

O endividamento das famílias chegou a 49,7% da renda acumulada em 12 meses no fim de 2025, alta de 1,3 p.p. no ano. Sem considerar financiamento imobiliário, o índice ficou em 31,2%.

O comprometimento da renda com dívidas atingiu 29,2%, com elevação anual de 1,7 p.p., refletindo maior parcela do orçamento destinada ao pagamento de prestações e encargos financeiros.

Os dados são calculados com base em informações da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizadas pelo Banco Central para monitorar o comportamento do crédito.

*Com informações da Agência Brasil.


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