O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está “são e salvo”, segundo declaração divulgada nesta quarta-feira (11/03/2026) por Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano. A manifestação foi publicada em uma mensagem no Telegram após relatos de que o dirigente teria sido ferido durante o conflito militar envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.
De acordo com autoridades israelenses, Mojtaba Khamenei teria sofrido ferimentos leves, motivo pelo qual não apareceu em público desde a escalada das hostilidades. O líder iraniano assumiu o comando do país no domingo (01/03/2026), após a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no início das operações militares contra o Irã.
Informações divulgadas pelo jornal The New York Times, citando autoridades iranianas, indicam que Khamenei sofreu ferimentos principalmente nas pernas, permanece consciente e está em local considerado seguro, com comunicação limitada.
Ataque iraniano atinge refinaria na Arábia Saudita
Enquanto o governo iraniano tentava esclarecer a situação do novo líder, Teerã reivindicou uma ofensiva militar de grande escala contra infraestruturas energéticas na região.
Entre os alvos atingidos está uma refinaria de petróleo na Arábia Saudita, localizada próxima à fronteira com os Emirados Árabes Unidos e considerada estratégica para a produção petrolífera saudita. A instalação é operada pela Aramco, empresa estatal e uma das maiores exportadoras de petróleo do mundo.
Autoridades sauditas informaram que sete mísseis balísticos foram interceptados em diferentes ataques. Seis deles tinham como alvo a base aérea Prince Sultan, instalação militar que abriga tropas dos Estados Unidos nas proximidades de Riad.
Interceptação de drones e ampliação das operações militares
Além dos mísseis, forças sauditas relataram a interceptação de cinco drones na região de Al-Kharj, onde está localizada a base Prince Sultan, e outros dois drones na região de Hafar Al-Batin, perto da fronteira com o Kuwait.
Os ataques fazem parte de uma onda de ofensivas reivindicadas pela Guarda Revolucionária do Irã, que classificou as operações como as mais intensas desde o início da guerra no Oriente Médio.
Paralelamente, projéteis atingiram embarcações comerciais na região do Golfo. Um navio porta-contêineres foi danificado próximo aos Emirados Árabes Unidos, enquanto um navio de transporte de grãos foi atacado ao norte de Omã, provocando incêndio a bordo antes do resgate da tripulação.
Impacto do conflito no mercado global de petróleo
A escalada militar ocorre em um cenário de forte instabilidade no mercado energético global. O Irã passou a bloquear o estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
A interrupção parcial do tráfego marítimo e os ataques a infraestruturas energéticas provocaram alta significativa no preço do petróleo nos mercados internacionais. Após atingir quase US$ 120 por barril no início da semana, o petróleo Brent passou a ser negociado em torno de US$ 88 por barril.
Diante do impacto econômico global, líderes do Grupo dos Sete (G7) convocaram uma reunião por videoconferência nesta quarta-feira (11/03/2026) para discutir medidas emergenciais, incluindo a liberação de reservas estratégicas de petróleo.
Avaliações militares e pressão internacional por fim da guerra
Autoridades israelenses afirmam que o objetivo da campanha militar não é a queda do regime iraniano, mas reduzir a capacidade de ataque do país contra Israel. Segundo fontes de segurança, não há prazo definido para o término do conflito.
Nos bastidores diplomáticos, cresce a expectativa de que os Estados Unidos pressionem Israel para encerrar as operações militares. Avaliações internas indicam que o presidente Donald Trump poderia exigir o fim das ações militares em curto prazo.
Enquanto isso, autoridades iranianas intensificaram o discurso de segurança interna. O chefe de polícia Ahmadreza Radan advertiu que qualquer manifestação considerada favorável a adversários externos será tratada como ação hostil.
Preocupação internacional com o programa nuclear iraniano
Em meio à guerra, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, afirmou que o risco relacionado ao programa nuclear iraniano permanece.
Segundo ele, o Irã mantém mais de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, quantidade considerada suficiente para a produção potencial de armas nucleares. Grossi afirmou que os recentes ataques não causaram danos significativos às principais instalações nucleares, como os complexos de Isfahan e Natanz.
O dirigente da AIEA defendeu a retomada de negociações diplomáticas para evitar uma escalada nuclear, ressaltando que a solução para a crise deve ocorrer por meio do diálogo internacional.
*Com informações da RFI.








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