O deputado estadual Marcelino Galo (PT) elevou o tom das críticas nesta quarta-feira (18/03/2026) contra o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, ao acusá-lo de desprezar prefeitos do próprio partido na Bahia enquanto se aproxima politicamente do senador Flávio Bolsonaro, apontado por setores da direita como presidenciável. A declaração foi feita em meio à disputa de narrativas sobre alianças, lealdades partidárias e posicionamento ideológico no cenário baiano, tendo como pano de fundo o episódio envolvendo o prefeito de Várzea do Poço, Everson Marcos, filiado ao União Brasil.
Legenda da imagem: Deputado estadual Marcelino Galo criticou ACM Neto ao afirmar que o dirigente do União Brasil despreza prefeitos da própria legenda na Bahia, enquanto reforça aproximação política com Flávio Bolsonaro, em meio às articulações para 2026.
O deputado estadual Marcelino Galo, líder do PT na Assembleia Legislativa da Bahia, afirmou que ACM Neto tem adotado uma postura de distanciamento em relação a prefeitos baianos do próprio partido, o União Brasil, ao mesmo tempo em que amplia sua interlocução com o campo bolsonarista. Segundo o parlamentar, o caso do prefeito de Várzea do Poço, Everson Marcos, seria um exemplo desse comportamento. Galo declarou que o gestor municipal, apesar de integrar a mesma legenda de ACM Neto, teria sido ignorado politicamente e até retirado, sem justificativa, de um grupo de WhatsApp do partido.
De acordo com o deputado petista, a conduta de ACM Neto revelaria uma contradição entre o tratamento dispensado a lideranças municipais da Bahia e a atenção dedicada à articulação nacional com representantes da direita bolsonarista. Em sua crítica, Galo sustentou que, enquanto o ex-prefeito despreza prefeitos locais e sinaliza que não dependeria deles para se eleger, busca se aproximar da cúpula do PL para reafirmar apoio ao senador Flávio Bolsonaro.
A manifestação ocorre em um contexto de crescente polarização política no estado, em que alianças nacionais e regionais tendem a influenciar diretamente a formação dos palanques de 2026. Ao associar ACM Neto ao bolsonarismo, Marcelino Galo tenta reforçar a vinculação do adversário ao campo da extrema-direita, ao passo que procura consolidar a imagem do governador Jerônimo Rodrigues como representante de uma política de diálogo institucional com prefeitos de diferentes partidos.
Críticas ao tratamento dado a prefeitos do próprio partido
Na declaração, Marcelino Galo afirmou que o “descaso” de ACM Neto com prefeitos do União Brasil seria incompatível com a função de liderança partidária exercida por ele. O deputado apontou diretamente o caso de Everson Marcos, prefeito de Várzea do Poço, como exemplo de menosprezo interno. Segundo Galo, além de não ser atendido politicamente, o prefeito teria sido excluído de um grupo de WhatsApp da legenda sem explicação.
A crítica busca destacar um suposto esvaziamento da relação entre ACM Neto e lideranças municipais, sobretudo em um momento em que prefeitos seguem sendo peças centrais na estrutura eleitoral baiana. No modelo político tradicional brasileiro, a base municipal continua sendo um ativo decisivo para capilaridade, mobilização e sustentação territorial de candidaturas majoritárias. Por isso, a acusação feita por Galo atinge um ponto sensível da estratégia oposicionista.
Ao enfatizar que o prefeito atingido pertence ao mesmo partido de ACM Neto, o deputado petista também tenta explorar um potencial desgaste interno no União Brasil. A mensagem política é clara: a crítica não se limita a uma disputa entre adversários ideológicos, mas procura sugerir que haveria insatisfação até entre aliados formais do ex-prefeito de Salvador.
Aproximação com Flávio Bolsonaro entra no centro do embate
Outro eixo da ofensiva verbal de Marcelino Galo foi a aproximação de ACM Neto com Flávio Bolsonaro e com a cúpula do PL. Para o parlamentar, a imagem do encontro entre os dois serviria como prova do alinhamento de ACM Neto ao campo bolsonarista. Na fala do deputado, esse gesto desmontaria qualquer tentativa futura de apresentar o ex-prefeito como uma liderança politicamente equidistante entre Lula e o bolsonarismo.
Galo afirmou que a fotografia do encontro falaria por si e indicaria que ACM Neto está ao lado da direita mais radical. Com isso, o deputado retoma uma linha de crítica já conhecida no debate político baiano: a tentativa de associar o adversário a um projeto nacional rejeitado pelo eleitorado que se identifica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de uma estratégia discursiva relevante, sobretudo em um estado onde Lula preserva forte capital político.
A menção à possibilidade de ACM Neto voltar a adotar um discurso ambíguo — criticado por Galo como conversa do “tanto faz” — também revela o esforço do PT em antecipar o embate eleitoral. O objetivo é dificultar qualquer reposicionamento estratégico do adversário no futuro, colando sua imagem à órbita bolsonarista antes mesmo do início formal da campanha.
Jerônimo Rodrigues é usado como contraponto político
Na mesma declaração, Marcelino Galo procurou construir um contraste entre ACM Neto e o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Segundo ele, ao contrário do dirigente do União Brasil, Jerônimo teria recebido o prefeito Everson Marcos com cordialidade, independentemente da filiação partidária, e anunciado investimentos para Várzea do Poço.
Esse contraponto serve a uma dupla finalidade política. De um lado, reforça a narrativa de que o governo estadual mantém diálogo institucional com gestores municipais de diferentes correntes. De outro, tenta projetar Jerônimo como herdeiro direto do estilo político de Lula, baseado na interlocução federativa e na valorização das administrações locais como representantes concretos das demandas da população.
Ao afirmar que Jerônimo não levou em conta o partido do prefeito ao recebê-lo, Galo procura destacar uma concepção de governança mais pragmática e menos sectária. Na retórica do deputado, essa postura seria compatível com a ideia de democracia e diálogo, em oposição àquilo que ele descreve como alinhamento de ACM Neto com um projeto político de viés golpista.
Várzea do Poço no centro da disputa simbólica
O município de Várzea do Poço surge, nesse episódio, como mais do que um caso isolado. A cidade passa a ser usada como símbolo de duas formas distintas de atuação política: uma, segundo a narrativa petista, marcada pelo afastamento partidário e pela seletividade interna; outra, baseada na abertura institucional e no reconhecimento do papel dos prefeitos.
Esse tipo de disputa simbólica costuma ganhar força em períodos pré-eleitorais porque traduz conflitos amplos em episódios concretos e facilmente compreensíveis pelo eleitor. Ao personalizar a crítica no caso de Everson Marcos, Marcelino Galo transforma uma divergência partidária em um fato político com potencial de repercussão regional.
Até o conteúdo apresentado, não há manifestação de ACM Neto no material fornecido sobre as acusações feitas por Marcelino Galo. Em termos jornalísticos, esse ponto é relevante, porque a controvérsia envolve acusações diretas sobre conduta política, relações partidárias e posicionamento ideológico.








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