O governo de Israel afirmou nesta quarta-feira (08/04/2026) que o cessar-fogo firmado com o Irã não se aplica ao Líbano, mantendo a continuidade das operações militares no território libanês. A declaração ocorre em meio à escalada do conflito iniciado em 2 de março, após ataques do grupo Hezbollah contra Israel.
Segundo o porta-voz do exército israelense, Avichay Adraee, a “batalha continua no Líbano”, reforçando que a trégua anunciada anteriormente não abrange a região. O militar também orientou a população a evacuar áreas ao sul do rio Zahrani, próximo à fronteira entre os dois países.
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou apoio à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender ataques contra o Irã, desde que sejam cumpridas condições relacionadas à segurança regional.
Evacuações e ataques continuam no território libanês
O exército israelense ampliou as ordens de evacuação para bairros do sul de Beirute, incluindo regiões consideradas áreas de atuação do Hezbollah. A recomendação foi divulgada em língua árabe e abrange múltiplos bairros da capital.
De acordo com a agência estatal libanesa ANI, novos bombardeios foram registrados na manhã desta quarta-feira, incluindo um ataque na região de Tyr, no sul do país. As autoridades locais também orientaram civis deslocados a não retornarem às áreas afetadas.
O grupo Hezbollah não reivindicou novos ataques contra Israel nas últimas horas, segundo informações disponíveis até a madrugada no horário local.
Divergências sobre alcance do cessar-fogo
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o governo busca incluir o país em um acordo de paz mais amplo na região.
Por outro lado, declarações internacionais indicam divergências sobre o alcance do cessar-fogo. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que a trégua envolveria todos os países da região, incluindo o Líbano. No entanto, autoridades libanesas indicaram que não foram oficialmente informadas sobre essa inclusão.
Líderes europeus também se manifestaram. O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que o cessar-fogo deveria abranger plenamente o território libanês, defendendo a retomada de mecanismos internacionais de estabilização.
Reações internacionais e pressão diplomática
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, criticou a continuidade da ofensiva, destacando a necessidade de respeito à soberania territorial.
As declarações refletem o aumento da pressão diplomática para ampliação da trégua e redução das hostilidades na região, especialmente diante do impacto humanitário do conflito.
Além disso, propostas incluem o fortalecimento das Forças Armadas Libanesas para retomar o controle do território e conter ações do Hezbollah.
Balanço de vítimas e impacto do conflito
De acordo com o Ministério da Saúde libanês, 1.530 pessoas morreram no Líbano desde o início dos confrontos em 2 de março. O número reflete o impacto contínuo dos ataques na população civil.
Em Israel, serviços de emergência registraram 23 mortes causadas por mísseis lançados do Irã e do Líbano. Também foi reportada a morte de um agricultor israelense em um ataque atribuído às forças israelenses próximo à fronteira.
O cenário mantém a instabilidade regional, com operações militares em andamento e negociações diplomáticas ainda sem consenso sobre a abrangência de um cessar-fogo.
*Com informações da RFI.









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