Economia prateada movimenta R$ 2 trilhões no Brasil e impulsiona negócios voltados ao público 60+

O Brasil registra mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, consolidando um mercado em expansão que já movimenta R$ 2 trilhões na economia, segundo levantamento da consultoria Data8. O avanço da chamada economia prateada reflete mudanças demográficas e amplia oportunidades para empresas e empreendedores que atendem esse público.

Esse segmento reúne tanto consumidores quanto empreendedores acima de 60 anos, exigindo adaptação dos modelos de negócios às novas demandas de acessibilidade, atendimento e experiência de compra. A tendência indica transformação estrutural no perfil de consumo e na oferta de produtos e serviços.

Especialistas apontam que empresas que incorporam essas mudanças conseguem ampliar competitividade e fidelizar clientes, acompanhando o envelhecimento da população brasileira.

Mudança no perfil de consumo e exigências do público 60+

De acordo com a gestora do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Gilvany Isaac, o público idoso demanda melhor iluminação em lojas, sinalização visível, acessibilidade, atendimento direto e processos simplificados de compra.

Segundo ela, a economia prateada representa uma mudança estrutural na sociedade brasileira, com impacto direto no desenvolvimento econômico e social. Negócios alinhados a esse cenário tendem a acessar novos mercados e ampliar sua atuação.

Relatos de consumidores reforçam a necessidade de melhoria no atendimento. O aposentado João Gualberto de Almeida Teixeira destacou a importância de atenção e interação direta durante o atendimento, como fator decisivo na experiência de consumo.

Setores com maior potencial de crescimento

Entre os segmentos com maior potencial, destacam-se áreas como saúde e bem-estar, telemedicina, turismo, serviços financeiros e habitação adaptada. Academias com treinos específicos, acompanhamento profissional e foco funcional estão entre os serviços mais demandados.

Também ganham espaço soluções de monitoramento remoto de saúde e serviços de cuidadores, que podem atuar como microempreendedores individuais. Esses serviços atendem tanto às famílias quanto aos profissionais, ampliando a formalização e a geração de renda.

No setor de turismo, empresas que oferecem pacotes fora da alta temporada e experiências culturais personalizadas apresentam maior aderência ao público 60+. Já no segmento financeiro, cresce a procura por planejamento voltado à aposentadoria ativa.

Digitalização e desafios no ambiente online

O público 60+ tem ampliado sua presença no comércio eletrônico, com aumento no volume de compras online. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de fortalecer a inclusão digital e a segurança, já que essa faixa etária é mais exposta a fraudes.

Como resposta, cresce a oferta de cursos de capacitação digital e educação tecnológica, voltados especificamente para esse público. A medida busca ampliar autonomia e reduzir riscos no ambiente virtual.

Esse movimento reforça a integração dos consumidores seniores ao mercado digital, ampliando seu potencial de consumo.

Empreendedorismo sênior e geração de renda

O avanço da economia prateada também se reflete no empreendedorismo. O microempreendedor João Lopes criou, em junho de 2024, a Mel Mania, com foco no público 60+. O negócio comercializa mel e capacita produtores, promovendo inclusão produtiva.

A iniciativa já integrou 112 pessoas na atividade de apicultura, fornecendo equipamentos, suporte técnico e compra da produção. O modelo combina geração de renda com impacto social.

Programas de capacitação também impulsionam esse cenário. No Rio de Janeiro, o Sebrae desenvolve o projeto Economia Prateada, que já atendeu 144 participantes, com predominância feminina e atuação em áreas como gastronomia, moda, artesanato e serviços.

Envelhecimento ativo e transformação do mercado

O perfil da população idosa no Brasil passou por mudanças, com maior participação em atividades sociais, educacionais e econômicas. Esse comportamento amplia a demanda por produtos e serviços diversificados.

Dados indicam que os empreendedores seniores representam 16% dos donos de negócios no estado do Rio de Janeiro, refletindo o crescimento dessa parcela no ambiente empresarial.

Especialistas apontam que o empreendedorismo se torna alternativa relevante diante de barreiras no mercado formal de trabalho, contribuindo para geração de renda e inclusão econômica.

*Com informações da Agência Brasil.


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