Setor florestal emprega 42 milhões no mundo e evidencia desigualdade de gênero, aponta pesquisa da FAO

As florestas garantem emprego para cerca de 42 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo levantamento divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. O estudo analisa dados entre 2011 e 2022 e apresenta estimativas globais e regionais sobre o setor florestal, incluindo recortes por gênero.

De acordo com a pesquisa, o setor representa 1,2% dos empregos globais, número inferior ao registrado em 2011, quando a participação era de 3,1%. A Ásia concentra a maior parcela de trabalhadores, seguida por Europa, África e Américas.

O levantamento foi desenvolvido em parceria com o Instituto Florestal Thünen e a Organização Internacional do Trabalho, abrangendo dados de 182 países, que correspondem a 99% da área florestal mundial.

Distribuição regional e participação no emprego

A Ásia lidera a participação no setor, com cerca de 1,4% dos empregos regionais ligados às florestas. Na Europa, houve leve redução, passando de 1,3% em 2011 para 1,2% em 2022.

Na África, os dados mostram variação ao longo do período, com pico em 2016 e queda para 1,0% em 2022. Já nas Américas, a taxa permaneceu estável em torno de 0,8%, inclusive após impactos associados à pandemia de COVID-19.

Os dados indicam que, apesar da estabilidade em algumas regiões, há uma tendência de redução da participação do setor florestal no total de empregos globais.

Desigualdade de gênero no setor florestal

O estudo apresenta, pela primeira vez, estimativas globais desagregadas por sexo, revelando que as mulheres representam 25% da força de trabalho, equivalente a 10,6 milhões de empregos.

A maior disparidade foi registrada na Europa, onde 1,8% dos homens estão empregados no setor, contra apenas 0,5% das mulheres. Em outras regiões, como África, Ásia e Américas, a diferença é menor, mas ainda presente.

Os dados apontam para uma participação feminina reduzida em todas as regiões, indicando desigualdade estrutural no acesso ao emprego florestal.

Estrutura produtiva e impacto econômico

A fabricação de madeira e produtos derivados concentra a maior parte dos empregos, respondendo por cerca de 58% das ocupações no setor. Em seguida, aparecem atividades de silvicultura, exploração madeireira e produção de celulose e papel.

As florestas desempenham papel relevante nas economias nacionais ao gerar renda e empregos, além de contribuir para políticas de sustentabilidade ambiental.

O estudo também destaca que milhões de pessoas dependem diretamente dos recursos florestais para subsistência, especialmente em países com alta biodiversidade.

Tendências e desafios para o setor

Apesar da importância econômica e social, o setor enfrenta desafios relacionados à redução da participação no emprego global e às desigualdades de gênero.

A análise aponta que fatores como mudanças econômicas, transformação produtiva e impactos recentes da pandemia influenciaram a dinâmica do mercado de trabalho florestal.

A pesquisa reforça a necessidade de políticas que ampliem a inclusão e promovam o uso sustentável dos recursos naturais, mantendo a relevância do setor no cenário global.

*Com informações da ONU News.


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