Marcha das Bandeiras em Jerusalém amplia tensões sobre expansão israelense e Jerusalém Oriental

A cidade de Jerusalém foi palco nesta quinta-feira (14/05/2026) da tradicional “Marcha das Bandeiras”, manifestação nacionalista ligada à extrema direita israelense que celebra a anexação de Jerusalém Oriental por Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O evento ocorre em meio ao aumento das tensões políticas e territoriais envolvendo a expansão israelense em áreas palestinas ocupadas e à mobilização de grupos pacifistas israelenses para proteger moradores palestinos na Cidade Velha.

A Organização das Nações Unidas não reconhece a anexação de Jerusalém Oriental e considera a medida ilegal à luz do direito internacional.

Expansão territorial intensifica debate sobre “Grande Jerusalém”

Nos últimos anos, setores nacionalistas e partidos da direita israelense passaram a defender de forma mais aberta o projeto conhecido como “Grande Jerusalém”, que prevê ampliação da presença israelense em áreas palestinas ao redor da cidade.

Entre os projetos em destaque está o chamado E1, plano que busca criar continuidade territorial entre colônias israelenses e Jerusalém.

O governo liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também ampliou iniciativas semelhantes em regiões da Cisjordânia ocupada, segundo relatório divulgado pela organização israelense de direitos humanos Ir Amim.

Cisjordânia segue dividida entre áreas sob diferentes controles

A atual configuração territorial da Cisjordânia foi estabelecida pelos Acordos de Oslo, que dividiram o território em três zonas administrativas.

A Área A permanece sob controle civil e militar palestino. A Área B possui administração compartilhada entre israelenses e palestinos. Já a Área C, que corresponde a cerca de 60% da Cisjordânia, continua sob controle direto de Israel.

Nessas regiões, palestinos e colonos israelenses convivem em áreas próximas, frequentemente marcadas por disputas territoriais e conflitos relacionados à expansão de assentamentos.

Organização denuncia expansão de colônias e demolições

Segundo Aviv Tatarsky, pesquisador da Ir Amim, quatro novas colônias israelenses surgiram recentemente nos arredores de Jerusalém, incluindo Mishmar Yehuda e Yatziv.

De acordo com o pesquisador, o avanço ocorre por meio da ampliação de assentamentos, construção de estradas e criação de postos avançados em áreas palestinas.

Tatarsky também citou demolições de residências palestinas, ações militares e violência praticada por colonos como fatores que pressionam famílias palestinas a deixar determinadas regiões.

Moradores palestinos relatam isolamento e restrições

Moradores de vilarejos palestinos próximos a Jerusalém relatam aumento das dificuldades de circulação após a instalação de novas barreiras metálicas em estradas da região.

Atualmente, 16 barreiras metálicas amarelas bloqueiam acessos entre cidades e vilarejos palestinos próximos a Jerusalém.

Segundo ativistas e moradores locais, as estruturas permitem que comunidades sejam isoladas rapidamente pelo Exército israelense em momentos de tensão.

Militantes pacifistas atuam na Cidade Velha

Durante a Marcha das Bandeiras, dezenas de militantes israelenses vestidos de branco se reuniram nas proximidades da Porta de Damasco, uma das entradas da Cidade Velha, distribuindo flores e acompanhando a movimentação dos participantes.

O partido israelo-palestino Standing Together mobilizou cerca de 300 voluntários com o objetivo de reduzir tensões e oferecer proteção simbólica a moradores palestinos.

A codiretora do grupo, Rula Daoud, afirmou que a ação busca conter episódios de intimidação e violência registrados durante manifestações anteriores.

Comerciantes fecham lojas diante de temor de confrontos

Ao longo do trajeto da marcha, diversos comerciantes palestinos fecharam as portas de estabelecimentos comerciais por receio de confrontos e atos de vandalismo.

Historicamente, a Marcha das Bandeiras reúne dezenas de milhares de nacionalistas israelenses e costuma registrar episódios de insultos racistas, agressões e confrontos na Cidade Velha.

No início da tarde, os primeiros grupos da manifestação passaram pela Porta de Damasco entoando o slogan “Israel para sempre”, sob forte presença policial.

*Com informações da RFI.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner do Governo da Bahia: Campanha Ações Bahia Projetos Institucionais 0526.
Banner da CMFS: Campanha de abril de 2026 2.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading