Super El Niño pode intensificar secas, incêndios e crises globais em 2026, alertam especialistas

O avanço das projeções sobre um possível Super El Niño em 2026 mobiliza especialistas em clima, economia e geopolítica. Modelos meteorológicos analisados nos últimos dias indicam que o fenômeno climático poderá alcançar níveis extremos, aumentando o risco de secas prolongadas, incêndios florestais, perdas agrícolas e eventos climáticos severos em diferentes regiões do planeta.

O alerta ganhou força após a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) divulgar, em abril, previsões sobre a possibilidade de formação do El Niño ainda neste ano. O fenôeno ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial registram temperaturas acima da média histórica. Quando o aquecimento supera 2°C, o evento é classificado como extremo.

A preocupação internacional aumentou após comparações com o chamado Super El Niño de 1877/1878, associado historicamente a crises climáticas e alimentares globais. Nas redes sociais, o tema passou a repercutir amplamente após a divulgação de novos estudos meteorológicos e projeções climáticas.

Brasil prepara medidas para enfrentar impactos climáticos

No Brasil, os possíveis efeitos do fenômeno já provocaram mobilização institucional. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou que o governo federal e os estados da Amazônia Legal apresentem até quarta-feira (28/05/2026) um plano de prevenção aos incêndios florestais relacionados ao período seco intensificado pelo El Niño.

Segundo especialistas, o fenômeno deve provocar redução das chuvas na Região Norte e aumento das precipitações no Sul do país. O cenário também pode elevar o risco de queimadas em áreas de floresta e comprometer atividades ligadas ao agronegócio e ao abastecimento hídrico.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na segunda-feira (25/05/2026) que o Comitê de Política Monetária (Copom) acompanha os impactos climáticos para avaliar possíveis reflexos sobre a inflação e a taxa básica de juros. Segundo ele, eventos climáticos extremos e conflitos geopolíticos internacionais estão entre os fatores monitorados pela autoridade monetária.

Especialistas relacionam crise climática a desequilíbrios globais

Pesquisadores afirmam que os efeitos do El Niño estão inseridos em um contexto mais amplo de “policrise”, conceito utilizado para definir a interligação entre crises climáticas, econômicas, energéticas e geopolíticas.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Pablo Saturnino, avaliou que o cenário atual reflete o desgaste de modelos econômicos baseados em alta emissão de carbono e desigualdade social.

Segundo ele, eventos climáticos extremos tendem a atingir principalmente populações vulneráveis, que vivem em áreas de risco ou possuem menor capacidade de adaptação. O pesquisador também destacou que o Brasil possui recursos técnicos para enfrentar crises ambientais, mas enfrenta desafios relacionados à implementação de políticas públicas preventivas.

Saturnino afirmou ainda que a combinação entre mudanças climáticas, conflitos internacionais e dependência energética amplia a frequência de eventos extremos e pressiona economias ao redor do mundo.

Meteorologistas alertam para secas e impactos agrícolas

O professor sênior do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), Augusto José Pereira Filho, explicou que os modelos meteorológicos apontam para temperaturas até 2°C acima da média no Pacífico Equatorial até o final de 2026.

Segundo ele, o fenômeno poderá provocar secas no Norte do Brasil, além de aumento das chuvas no Sul durante o inverno. Em escala global, regiões agrícolas da África, América Central, América do Norte, Indonésia e Eurásia também podem enfrentar redução das precipitações.

O especialista alertou ainda para o crescimento do risco de incêndios florestais em razão das altas temperaturas e da baixa umidade. Ele defendeu maior investimento em sistemas de monitoramento meteorológico, proteção civil e capacitação técnica no país.

De acordo com Pereira Filho, o enfrentamento de eventos extremos depende de planejamento preventivo, disseminação rápida de informações e fortalecimento dos órgãos de defesa civil.

Fenômeno climático pode afetar economia global

Além dos impactos ambientais, especialistas apontam possíveis efeitos econômicos relacionados à produção agrícola, preços de alimentos e oferta energética. Estudos recentes já indicam riscos de redução na produção de culturas como arroz, café e açúcar em algumas regiões afetadas pelo fenômeno.

O fechamento do Estreito de Ormuz, em meio às tensões envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, também foi citado por pesquisadores como exemplo de como crises geopolíticas podem agravar problemas econômicos e energéticos simultaneamente.

Analistas destacam que mudanças climáticas extremas podem aumentar a pressão sobre cadeias globais de abastecimento e ampliar oscilações nos preços internacionais de commodities.

*Com informações da Sputnik News.


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