EUA e Irã ampliam tensão com novos ataques após cessar-fogo; Internet volta no Irã após quase três meses de bloqueio

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a trocar ataques militares nesta quarta e quinta-feira (27 e 28/05/2026), em uma escalada considerada a mais grave desde o início do cessar-fogo firmado em 7 de abril. Os confrontos envolveram bombardeios americanos no sul do Irã, ataques iranianos contra instalações ligadas aos EUA e novos episódios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de petróleo.

Ao mesmo tempo, o governo iraniano anunciou o restabelecimento da internet internacional após quase três meses de bloqueio parcial da rede. A medida foi determinada pelo presidente Masoud Pezeshkian em meio à pressão interna causada pelas limitações no acesso digital durante o período de guerra.

Os episódios reforçam o cenário de instabilidade regional mesmo diante de declarações recentes da Casa Branca indicando possibilidade de acordo diplomático entre Washington e Teerã.

EUA dizem ter abatido drones iranianos e atingido base de controle

Segundo informações divulgadas por um oficial americano à agência Reuters, militares dos Estados Unidos abateram durante a noite quatro drones de ataque iranianos e atingiram uma estação de controle no porto de Bandar Abbas, de onde um quinto drone estaria prestes a ser lançado.

O representante americano afirmou que a operação teve caráter defensivo e foi realizada para preservar o cessar-fogo entre os dois países.

“Essas ações foram calculadas, puramente defensivas e visavam manter o cessar-fogo”, declarou.

A agência iraniana Tasnim informou, por outro lado, que a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica disparou contra um petroleiro americano que tentava atravessar o Estreito de Ormuz, obrigando a embarcação a recuar.

Irã anuncia retaliação e Kuwait relata ataques com drones

Segundo a versão iraniana, após o episódio no Estreito de Ormuz, forças americanas realizaram um ataque em uma área desabitada próxima a Bandar Abbas. As autoridades iranianas afirmaram que não houve vítimas nem danos materiais.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter atacado uma base americana, sem informar a localização exata. Paralelamente, o Exército do Kuwait informou nesta quinta-feira (28/05/2026) que o país estava sob ataques com mísseis e drones.

Os confrontos elevaram a atenção internacional sobre o risco de interrupções na navegação comercial e no fornecimento global de petróleo, especialmente devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz para exportações energéticas do Oriente Médio.

Trump nega acordo que daria controle de Ormuz ao Irã

A televisão estatal iraniana informou ter obtido um memorando preliminar que previa a reabertura do tráfego comercial no Estreito de Ormuz dentro de um mês. Segundo a emissora, o documento estabeleceria administração conjunta da via marítima entre o Irã e Omã.

O suposto acordo também incluiria a suspensão do bloqueio naval americano e a retirada de tropas dos Estados Unidos de áreas próximas à fronteira iraniana.

O presidente Donald Trump negou as informações durante reunião de gabinete aberta à imprensa. “Ninguém controlará o estreito”, afirmou. Trump também declarou que o Estreito de Ormuz continuará sendo tratado como área internacional.

Parlamento iraniano reage a declarações de Trump

O presidente do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, afirmou que as declarações de Trump não farão o Irã recuar de suas exigências.

Em publicação na rede social X, Azizi declarou que o presidente americano alterna entre ameaças militares e tentativas de negociação para buscar saída para o impasse estratégico envolvendo os dois países.

As declarações demonstram que permanecem divergências sobre presença militar americana na região, controle marítimo e segurança internacional no Golfo Pérsico.

Irã restabelece internet após quase três meses de bloqueio

Em meio à crise militar, o governo iraniano restabeleceu o acesso à internet internacional após aproximadamente 88 dias de restrições, período considerado pela ONG Netblocks como o mais longo bloqueio nacional da rede na história moderna do país.

O restabelecimento ocorreu após críticas da população e de setores econômicos afetados pela interrupção dos serviços digitais. Segundo relatos de moradores de Teerã, muitos profissionais ficaram impossibilitados de trabalhar durante o período de restrição.

Rana, uma iraniana de cerca de 50 anos, afirmou que atua nas áreas de design gráfico, publicidade e eventos culturais e que suas atividades dependem diretamente da internet. Já Hana, estudante de 20 anos, declarou que voltou a utilizar aplicativos internacionais, mas ainda teme uma retomada dos confrontos militares.

Conectividade segue limitada apesar da reabertura

Apesar da retomada rápida do serviço, a conectividade permanece parcial em diferentes regiões do país. Segundo a ONG Netblocks, os dados móveis continuam restritos, diversos sites permanecem filtrados e serviços de mensagens seguem com dificuldades de acesso.

Ainda não há definição oficial sobre a liberação completa de aplicativos como o Telegram, historicamente alvo de restrições no Irã.

Ao mesmo tempo, observadores locais apontam que o governo iraniano vem flexibilizando algumas medidas de controle social nos últimos meses, incluindo menor fiscalização relacionada ao uso obrigatório do véu islâmico em áreas urbanas.

*Com informações da RFI.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading