Rússia lança 656 drones e 73 mísseis contra a Ucrânia; Ataque deixa 13 mortos em Kiev e Dnipro e amplia pressão sobre defesa ucraniana

Um dos maiores ataques russos dos últimos meses contra a Ucrânia deixou pelo menos 13 mortos e mais de 50 feridos na terça-feira (02/06/2026), segundo autoridades ucranianas. O bombardeio atingiu diversas regiões do país durante a madrugada e a manhã, incluindo a capital Kiev, onde mísseis balísticos provocaram mortes, danos estruturais e mobilização da população para abrigos antiaéreos.

De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou 656 drones e 73 mísseis ao longo da noite, ampliando uma tendência de intensificação dos ataques observada nos últimos meses. As ofensivas atingiram principalmente áreas urbanas e centros estratégicos do país.

O episódio ocorre em meio à continuidade do conflito iniciado em 2022 e ao impasse das negociações diplomáticas para encerrar a guerra, que permanece sem perspectiva imediata de solução.

Kiev registra mortes e dezenas de feridos após ataque com mísseis

As autoridades da capital ucraniana confirmaram a morte de quatro pessoas em Kiev. Segundo o chefe da administração militar da cidade, Tymour Tkatchenko, ao menos 51 pessoas ficaram feridas, incluindo três crianças.

Antes das explosões, o responsável pela administração local havia alertado a população sobre o lançamento de mísseis balísticos contra a capital. Após os impactos, moradores foram vistos correndo para abrigos subterrâneos carregando bolsas, cobertores e outros pertences.

Imagens registradas na cidade mostraram colunas de fumaça em diferentes pontos da região metropolitana, resultado dos ataques que atingiram vários bairros da capital ucraniana.

Dnipro e Kharkiv também foram atingidas

No leste da Ucrânia, a cidade de Dnipro registrou o maior número de vítimas fatais. Segundo autoridades regionais, nove pessoas morreram e pelo menos 25 ficaram feridas durante os bombardeios.

O chefe da administração militar regional, Oleksandr Ganja, afirmou que o número de vítimas continuava sendo atualizado ao longo do dia em razão da dimensão dos danos causados pelos ataques.

Outra cidade atingida foi Kharkiv, onde autoridades locais relataram dez feridos, incluindo uma criança. Segundo o prefeito Igor Terekhov, a cidade foi alvo de quinze drones e dois mísseis durante a ofensiva.

Rússia também registra ataque em seu território

Do lado russo, autoridades informaram que um civil morreu na segunda-feira (01/06/2026) após um ataque de drone atribuído à Ucrânia na região de Kursk, próxima à fronteira entre os dois países.

O governador regional, Aleksandr Khinchtein, confirmou a morte e informou que equipes de emergência foram mobilizadas para atender a ocorrência.

Também foi registrado um incêndio na refinaria de Ilski, localizada na região de Krasnodar, no sul da Rússia. Segundo autoridades locais, o incidente ocorreu após um ataque envolvendo drones.

Intensificação dos bombardeios marca nova fase do conflito

A Rússia mantém ataques frequentes contra a Ucrânia desde o início da guerra, mas os bombardeios diurnos passaram a ocorrer com maior intensidade nos últimos meses. Como resposta, Kiev também ampliou operações de longo alcance contra alvos em território russo.

Dados divulgados pelas autoridades ucranianas apontam que, apenas em maio, a Rússia lançou 211 mísseis contra o país, um dos maiores volumes registrados desde o início da invasão em 2022.

Entre os armamentos utilizados está o míssil balístico de alcance intermediário Orechnik, capaz de transportar ogivas nucleares e empregado pela terceira vez desde o início da guerra, segundo informações divulgadas pelas autoridades ucranianas.

Ataques com drones atingem nível recorde

Os números relacionados ao uso de drones também demonstram a escalada do conflito. Segundo levantamento baseado em dados divulgados diariamente, a Rússia lançou 8.150 drones de longo alcance contra a Ucrânia durante o mês de maio.

O volume representa um aumento de 24% em relação a abril, consolidando um novo recorde desde o início do confronto.

O crescimento das ofensivas ocorreu mesmo após uma trégua de três dias iniciada em 09/05/2026, período que chegou a gerar expectativas sobre uma retomada das negociações diplomáticas. Moscou e Kiev, porém, acusaram-se mutuamente de descumprir o acordo.

Governo ucraniano critica estratégia militar russa

Após os novos bombardeios, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que a Rússia continua utilizando ataques contra áreas urbanas como instrumento de pressão militar.

Segundo o chanceler, os recentes lançamentos de mísseis e drones demonstram a continuidade da estratégia russa de manter operações em larga escala contra o território ucraniano.

As declarações ocorreram em um momento de aumento das tensões e de novas cobranças internacionais por avanços nas negociações de paz.

Ucrânia alerta para redução dos estoques de armamentos

Apesar da intensidade dos ataques, Kiev afirma ter conseguido interceptar aproximadamente 91% dos drones e mísseis russos lançados durante maio. O resultado é atribuído ao fortalecimento dos sistemas de defesa aérea implantados ao longo do conflito.

Ainda assim, autoridades ucranianas alertam que o país continua dependente do fornecimento de armamentos por parte de aliados ocidentais, especialmente para enfrentar ataques envolvendo mísseis balísticos.

Representantes do governo têm reiterado que os estoques de munição destinados aos sistemas antimísseis estão diminuindo, o que pode comprometer a capacidade de resposta diante da continuidade dos ataques russos.

Negociações seguem sem avanços concretos

Enquanto os confrontos se intensificam, as negociações para encerrar a guerra permanecem sem avanços significativos. O conflito já provocou centenas de milhares de mortes, além de milhões de deslocados e refugiados desde o início da invasão em larga escala.

A falta de consenso entre Moscou e Kiev sobre condições para um acordo mantém o cenário de incerteza e prolonga uma guerra que já ultrapassa quatro anos de duração.

Os novos ataques demonstram que, apesar das tentativas diplomáticas, o conflito continua marcado por operações militares de grande escala e pela ausência de perspectivas imediatas para uma solução negociada.

*Com informações da RFI.


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