Inteligência Artificial no Brasil: Empresários, parlamentares e especialistas discutem regulação, produtividade e futuro do mercado de trabalho

A expansão da inteligência artificial (IA), o avanço da automação de processos e a necessidade de construção de um marco regulatório para o setor foram temas centrais do seminário “IA e o Futuro do Brasil”, realizado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) na segunda-feira (01/06/2026). O evento reuniu empresários, especialistas, parlamentares e representantes de entidades empresariais para discutir os desafios e oportunidades trazidos pela adoção crescente dessas tecnologias.

A popularização de sistemas capazes de criar conteúdos, automatizar tarefas digitais e interagir com usuários em linguagem natural tem provocado mudanças em escritórios, indústrias e diferentes segmentos da economia. Ao mesmo tempo em que cresce o interesse pelas possibilidades de aumento da produtividade, ampliam-se os debates sobre impactos no mercado de trabalho, segurança jurídica e regulamentação.

Diante desse cenário, lideranças empresariais e representantes do poder público defenderam a construção de políticas que permitam aproveitar o potencial econômico da tecnologia sem comprometer a inovação e a competitividade do país.

ACSP destaca potencial da inteligência artificial para impulsionar a economia

Durante a abertura do seminário, o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alfredo Cotait Neto, afirmou que a inteligência artificial pode representar uma ferramenta relevante para o desenvolvimento econômico brasileiro.

Além de presidir a ACSP, Cotait também está à frente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP). Em sua avaliação, a tecnologia possui potencial para modernizar processos e ampliar a eficiência em diferentes áreas da atividade econômica.

Ao abordar a evolução tecnológica, o dirigente destacou que parte da população ainda busca compreender melhor os impactos e o funcionamento das ferramentas de inteligência artificial.

“Evidentemente, sou de uma geração com muita dificuldade para entender o que é inteligência artificial, qual é o instrumento que ela pode realmente representar para o desenvolvimento dos processos e, principalmente, como isso pode contribuir com o crescimento econômico”, declarou.

Debate amplia discussão para políticas públicas e infraestrutura

A mediação do encontro foi realizada por Tito Hollanda Barroso, coordenador do Conselho de Inovação da ACSP. Segundo ele, o seminário foi organizado para responder a uma demanda crescente do setor produtivo por informações e debates relacionados à inteligência artificial.

De acordo com Barroso, a proposta foi ampliar a discussão para além das aplicações empresariais da tecnologia, incorporando temas ligados à formulação de políticas públicas, infraestrutura tecnológica e desenvolvimento do ambiente de inovação.

“Mas a gente vai debater a inteligência artificial não somente como um serviço, mas sim sobre políticas públicas, infraestrutura, e também falar com algumas pessoas do setor que já oferecem inteligência artificial como serviço hoje”, explicou.

A abordagem buscou reunir diferentes perspectivas sobre a implementação da tecnologia no Brasil, incluindo aspectos regulatórios, econômicos e operacionais.

Regulação da IA ganha espaço no Congresso Nacional

Um dos temas centrais do seminário foi a regulamentação da inteligência artificial no país. A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) participou das discussões e defendeu a busca por equilíbrio entre o incentivo à inovação e a criação de regras para utilização da tecnologia.

Segundo a parlamentar, o debate atual é marcado pela coexistência de expectativas positivas relacionadas à produtividade e preocupações sobre eventuais riscos associados ao uso da inteligência artificial.

“A questão é achar a justa medida. Nem só o maravilhoso aqui, nem só o pânico do lado de lá, mas o que o nosso país precisa? Eu acho que é essa a pergunta que a gente tem que responder. O que o nosso país precisa? Que, muitas vezes, a gente não dá conta, o poder público não dá conta, e a inteligência artificial está aí para ajudar”, afirmou.

Para Ventura, o principal desafio está na construção de um ambiente regulatório que ofereça segurança jurídica sem criar barreiras que dificultem o desenvolvimento tecnológico.

Marco regulatório está em análise na Câmara dos Deputados

O debate sobre inteligência artificial ocorre paralelamente à tramitação de propostas legislativas destinadas a regulamentar o setor. Em 2021, a Câmara dos Deputados aprovou um marco regulatório voltado ao desenvolvimento e ao uso de sistemas de inteligência artificial.

Posteriormente, o texto foi analisado pelo Senado Federal, que aprovou uma versão substitutiva mantendo parte dos dispositivos originais e acrescentando regras consideradas mais rigorosas para determinados tipos de aplicação da tecnologia.

Atualmente, a proposta encontra-se em análise por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, responsável por avaliar quais alterações promovidas pelo Senado serão mantidas na redação final do projeto.

A definição dessas regras é acompanhada por empresas, especialistas e entidades do setor produtivo, que buscam compreender os impactos da futura legislação sobre o desenvolvimento tecnológico e a competitividade da economia brasileira.

Inteligência artificial avança enquanto debate sobre regras continua

O crescimento da utilização da inteligência artificial em atividades empresariais, industriais e administrativas tem acelerado discussões sobre governança, transparência e responsabilidade no uso dessas ferramentas.

Especialistas apontam que o avanço da tecnologia exige a construção de mecanismos capazes de equilibrar inovação, proteção de direitos e desenvolvimento econômico. Ao mesmo tempo, representantes do setor produtivo defendem que o Brasil acompanhe o ritmo das transformações globais para não perder competitividade.

O seminário promovido pela ACSP reforçou a relevância do tema na agenda econômica nacional e evidenciou a necessidade de diálogo entre empresas, especialistas, legisladores e órgãos públicos para definir os rumos da inteligência artificial no país.


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