Operação do MPBA e Polícia Federal bloqueia R$ 97,8 milhões e mira grupo investigado por lavagem de dinheiro e tráfico em Porto Seguro

Uma operação conjunta do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e da Polícia Federal (PF) resultou no cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e no bloqueio judicial de R$ 97,79 milhões em bens de investigados por suposta participação em uma organização criminosa com atuação na região de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. A ação integra uma mobilização nacional de combate às facções criminosas e foi realizada nesta quarta-feira (17/06/2026).

Batizada de Operação Conexão Perigosa, a ofensiva teve como foco um grupo investigado por lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas, com atuação apontada pelas autoridades há pelo menos dez anos no sul do estado.

Além da operação conduzida pelo MPBA e pela Polícia Federal, outra ação denominada Operação Horizonte Vigiado foi realizada anteriormente em Porto Seguro, com cumprimento de mandados de prisão temporária contra suspeitos de homicídios e tráfico de drogas.

Operação Conexão Perigosa bloqueia quase R$ 100 milhões

De acordo com o Ministério Público da Bahia, a Operação Conexão Perigosa foi executada no distrito turístico de Arraial d’Ajuda, onde foram cumpridos os mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.

As investigações apontam que a organização criminosa exerceria influência sobre comunidades da região de Porto Seguro por meio de violência, grave ameaça e coação, utilizadas para intimidar moradores e agentes públicos.

Segundo os investigadores, o líder do grupo mantinha contatos frequentes com pelo menos três agentes políticos de Porto Seguro, que também foram alvo das medidas judiciais cumpridas durante a operação.

Investigação aponta esquema estruturado de lavagem de dinheiro

As apurações identificaram um modelo de movimentação financeira dividido em três etapas para ocultação da origem dos recursos ilícitos.

A primeira fase consistiria na colocação dos valores no sistema financeiro, por meio de depósitos fracionados em dinheiro vivo, estratégia utilizada para evitar mecanismos automáticos de fiscalização bancária.

Na segunda etapa, denominada ocultação, os recursos seriam movimentados entre contas de terceiros, conhecidos como “laranjas”, com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem dos valores.

Empresas de fachada eram usadas para dar aparência legal aos recursos

Segundo o MPBA, a terceira fase do esquema consistia na integração dos recursos ao mercado formal por meio de empresas de fachada, utilizadas para conferir aparência de legalidade ao patrimônio obtido por atividades criminosas.

Durante o cumprimento dos mandados foram apreendidos aparelhos celulares, que serão submetidos à análise para aprofundamento das investigações.

O Ministério Público informou que as apurações continuam para identificar possíveis participantes ainda não alcançados pelas medidas judiciais.

Investigados podem responder por diversos crimes

De acordo com os órgãos responsáveis pela operação, os investigados poderão responder por crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de capitais.

Caso sejam condenados por todas as infrações atribuídas, as penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão, conforme estimativa apresentada pelos investigadores.

A ação foi conduzida por integrantes da unidade Sul do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco Sul) e por agentes da Polícia Federal.

Operação Horizonte Vigiado cumpriu prisões em Porto Seguro

Em outra frente de combate ao crime organizado, o MPBA deflagrou a Operação Horizonte Vigiado na sexta-feira (12/06/2026), por meio do Gaeco, em atuação conjunta com as polícias Civil e Militar da Bahia.

A ação resultou no cumprimento de seis mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão contra investigados por homicídios e tráfico de drogas em Porto Seguro e municípios da região.

Segundo o Ministério Público, as medidas foram autorizadas após investigações conduzidas pela Delegacia Territorial de Porto Seguro reunirem elementos que apontariam a participação dos suspeitos em atividades criminosas.

Drogas e motocicleta adulterada foram apreendidas

Durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes localizaram uma motocicleta com indícios de adulteração dos sinais identificadores.

Além disso, um homem foi preso em flagrante por tráfico de drogas após ser encontrado com entorpecentes durante as diligências realizadas pelos agentes.

As medidas integram a mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc), iniciativa do Ministério Público brasileiro voltada ao enfrentamento de facções criminosas em diferentes estados.

Atuação integrada reúne MPBA, PF e forças policiais

As duas operações reforçam a atuação conjunta entre Ministério Público, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar em investigações relacionadas ao crime organizado no extremo sul da Bahia.

Segundo os órgãos envolvidos, o objetivo é combater estruturas criminosas ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos, além de identificar redes de apoio utilizadas para movimentação de recursos ilícitos.

As investigações permanecem em andamento e novos desdobramentos poderão ocorrer a partir da análise do material apreendido durante as operações.


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