A descarbonização do transporte marítimo e a ampliação do uso de biocombustíveis ganharam destaque durante encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ministério da Defesa e a Bioenergia Brasil, realizado na terça-feira (04/08/2026). O evento reuniu representantes do governo, da indústria e do setor produtivo para discutir iniciativas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa na navegação, preservando a competitividade da economia brasileira e ampliando oportunidades para os combustíveis renováveis.
O debate ocorre em um momento em que o Brasil participa das discussões na Organização Marítima Internacional (IMO) sobre a transição energética do setor marítimo. Segundo dados apresentados durante o encontro, aproximadamente 96% das mercadorias exportadas pelo Brasil, em toneladas, são transportadas por via marítima, fator considerado estratégico para o comércio exterior nacional.
Representantes da indústria defenderam que as futuras regulamentações internacionais considerem as características logísticas do Brasil, evitando impactos que possam comprometer a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados internacionais.
Governo destaca redução das emissões no transporte marítimo
Durante a abertura do encontro, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, afirmou que a substituição gradual dos combustíveis fósseis representa um dos principais desafios da transição energética global no transporte marítimo.
Segundo o ministro, a utilização de biocombustíveis em conjunto com combustíveis fósseis pode contribuir para reduzir a pegada de carbono da navegação e diminuir as emissões de gases lançados na atmosfera.
O comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, ressaltou que 97% das trocas comerciais brasileiras são realizadas pelo modal marítimo, destacando que o tema deve integrar de forma permanente a agenda de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico e logístico do país.
Especialistas debatem etanol como alternativa para a navegação
Os participantes também discutiram o papel dos biocombustíveis, especialmente do etanol, como alternativa para reduzir as emissões no transporte marítimo.
Entre os painéis realizados, um deles abordou o tema “Etanol como combustível na descarbonização da navegação – visão dos produtores”, reunindo representantes do setor produtivo para analisar oportunidades e desafios da expansão dos combustíveis renováveis.
O CEO da Copersucar, Tomás Manzano, afirmou que fatores geopolíticos podem alterar a velocidade da transição energética, mas também aumentam a competitividade econômica dos biocombustíveis em momentos de elevação dos preços dos combustíveis fósseis.
Competitividade da indústria é apontada como prioridade
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, afirmou que o debate sobre a descarbonização do transporte marítimo está diretamente relacionado ao desempenho da indústria brasileira.
Segundo ele, embora a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) tenha recuado de 26% para cerca de 11%, segmentos como agroindústria, mineração e petróleo e gás elevaram a participação da indústria para aproximadamente 24% do PIB brasileiro.
Muniz destacou ainda que esse conjunto de atividades responde por 35% da arrecadação do Governo Federal, defendendo políticas públicas capazes de manter a competitividade da produção nacional durante a transição energética.
Eficiência energética e regras internacionais são discutidas
O segundo painel concentrou os debates sobre eficiência energética, inovação tecnológica e os efeitos das futuras normas internacionais para redução das emissões da navegação.
O Head de Vendas da Wärtsilä, Mario Barbosa, destacou que ganhos de eficiência operacional permitem reduzir o consumo de combustível e as emissões de dióxido de carbono (CO₂), aumentando simultaneamente a competitividade das operações marítimas.
Já o Maritime Affairs Manager da Vale, João Arantes, afirmou que os mecanismos econômicos atualmente discutidos na Organização Marítima Internacional (IMO) precisam considerar fatores como distância entre mercados consumidores, perfil das cargas transportadas e características do comércio exterior de cada país, evitando que as novas regras provoquem perdas de competitividade para economias exportadoras como a brasileira.
Brasil acompanha debates internacionais sobre transição energética
As discussões reforçaram a necessidade de alinhar as políticas brasileiras às negociações internacionais sobre descarbonização, preservando a capacidade competitiva do setor exportador e ampliando a participação dos biocombustíveis nacionais na matriz energética da navegação.
O encontro também evidenciou o papel estratégico do transporte marítimo para a economia brasileira e a importância da integração entre governo, indústria e setor produtivo na formulação de políticas públicas voltadas à redução das emissões de carbono.
Os participantes defenderam que a adoção de tecnologias de menor impacto ambiental, aliada ao uso de combustíveis renováveis e à eficiência energética, poderá contribuir para a transição do setor sem comprometer o desempenho das exportações brasileiras.








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