As temperaturas da superfície do mar nas regiões central e oriental do Pacífico tropical devem alcançar níveis recordes no último trimestre de 2026, em meio ao fortalecimento do El Niño, fenômeno climático que altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta. A previsão consta da Atualização Climática Sazonal Global, elaborada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que alerta para o aumento dos riscos de secas, inundações e temperaturas acima da média.
O cenário foi discutido durante o Fórum Global sobre Calor, realizado em Bangcoc, na Tailândia, até sexta-feira (09/10/2026). As projeções da agência indicam que o fenômeno deve continuar se intensificando antes de atingir seu pico previsto para dezembro, com possíveis consequências para comunidades, ecossistemas, atividades econômicas e sistemas de abastecimento de água.
Segundo a OMM, a combinação entre o aquecimento do Pacífico tropical e outros padrões oceânicos influencia as condições climáticas sazonais. As informações são utilizadas por governos, organizações humanitárias e instituições de diferentes países para orientar o planejamento, a prevenção de desastres e a gestão de riscos associados a eventos extremos.
El Niño pode atingir intensidade recorde em 2026
O índice Niño 3.4, utilizado para acompanhar as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental, registrou uma elevação expressiva em 2026. Segundo os dados apresentados pela OMM, a anomalia passou de 1,6 °C acima da média em junho para 2,5 °C em agosto.
Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, a previsão aponta uma anomalia sazonal próxima de 3,7 °C na região Niño 3.4, com pico esperado em dezembro. Caso se confirme, o valor superará o recorde anterior de 2,6 °C, observado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016.
A evolução desse indicador é importante porque o aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical modifica a distribuição de calor e umidade na atmosfera. Essas alterações podem influenciar a ocorrência de chuvas, estiagens e ondas de calor, embora os impactos variem conforme a região e a interação com outros fatores climáticos.
OMM estima persistência do fenômeno até fevereiro de 2027
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o El Niño está estabelecido e se intensifica rapidamente. Segundo ela, as previsões indicam uma probabilidade próxima de 100% de persistência do fenômeno até fevereiro de 2027, com possibilidade de que esteja entre os episódios mais fortes desde pelo menos 1950.
A estimativa resulta de um consenso entre 13 centros nacionais e internacionais de previsão climática, e não de um único modelo. A análise considera informações provenientes de boias oceânicas, satélites, radiossondas e outros sistemas de observação, com intercâmbio de dados coordenado pela organização.
A OMM também esclarece que o El Niño não cria calor adicional no planeta. O fenômeno altera a distribuição de energia entre o oceano e a atmosfera, favorecendo a liberação de parte do calor armazenado nas camadas oceânicas. Quando ocorre em um contexto de aquecimento global, essa redistribuição pode contribuir para temperaturas médias globais elevadas.
Secas e inundações estão entre os riscos previstos
A Atualização Climática Sazonal Global prevê temperaturas acima da média em grande parte do planeta durante o período analisado. As mudanças nos padrões de precipitação podem aumentar a probabilidade de seca em algumas áreas e de chuvas intensas e inundações em outras.
Os efeitos do El Niño não são uniformes. A intensidade e a distribuição dos impactos dependem da localização geográfica, da época do ano e da atuação simultânea de outros fenômenos atmosféricos e oceânicos. Por isso, as previsões sazonais são utilizadas para identificar tendências e orientar medidas preventivas, mas não determinam com precisão o tempo que ocorrerá em cada localidade.
Em regiões vulneráveis à escassez de água, as condições climáticas podem afetar o abastecimento humano, a agricultura e os ecossistemas. Em áreas sujeitas a precipitações intensas, os riscos incluem alagamentos, enchentes e danos à infraestrutura. O acompanhamento das previsões permite que autoridades e organizações humanitárias preparem ações de resposta conforme as condições locais.
Dipolo do Oceano Índico e Atlântico também influenciam o clima
Além do El Niño, a OMM acompanha outros fatores que interferem nas condições meteorológicas sazonais. Entre eles está o Dipolo do Oceano Índico (DOI), padrão de variação das temperaturas da superfície do mar que influencia a distribuição das chuvas em áreas próximas à bacia oceânica.
A previsão indica que o Dipolo do Oceano Índico permanecerá em fase positiva, com pico esperado em outubro e posterior enfraquecimento. Para o trimestre de outubro a dezembro de 2026, a anomalia sazonal desse indicador está estimada em aproximadamente 0,5 °C.
No Atlântico equatorial, as temperaturas da superfície do mar também devem permanecer acima da média. A combinação desses fatores com o El Niño influencia as projeções climáticas e reforça a necessidade de considerar diferentes variáveis oceânicas e atmosféricas na avaliação dos riscos regionais.
Aquecimento dos oceanos amplia a preocupação climática
A OMM destaca que os oceanos estão acumulando grandes quantidades de calor, em um contexto de aquecimento global. O El Niño interfere na distribuição dessa energia e pode contribuir para elevar temporariamente as temperaturas médias da superfície do planeta.
O material divulgado também menciona registros de calor em agosto apresentados pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA). Segundo a informação fornecida, agosto foi apontado como o mais quente da série histórica nos relatórios citados, enquanto a temperatura global da superfície do mar alcançou um nível recorde.
Esses indicadores precisam ser interpretados conforme os períodos de referência e as metodologias utilizadas por cada instituição. O acompanhamento de séries históricas permite avaliar a evolução do aquecimento e distinguir as variações sazonais associadas ao El Niño das tendências de longo prazo relacionadas às mudanças climáticas.
Previsões orientam ações humanitárias e prevenção de desastres
As atualizações climáticas da OMM são distribuídas ao sistema das Nações Unidas e a parceiros humanitários para apoiar o planejamento de ações preventivas e a gestão de riscos. A iniciativa busca transformar informações científicas em subsídios para decisões relacionadas à segurança alimentar, à disponibilidade de água, à proteção de populações vulneráveis e à resposta a emergências.
A agência também publica atualizações periódicas sobre o El Niño e a La Niña, fenômenos que integram o sistema climático conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS). O monitoramento permite revisar as projeções à medida que novos dados são incorporados aos modelos de previsão.
Com o pico do El Niño previsto para dezembro de 2026 e a possibilidade de persistência até fevereiro de 2027, a evolução das temperaturas oceânicas e dos padrões de chuva continuará sendo acompanhada por centros meteorológicos e instituições internacionais. A confirmação da intensidade projetada e a distribuição dos impactos dependerão das condições observadas nos próximos meses.
*Com informações da ONU News.








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