
O Observatório Astronômico Antares e o Museu Antares de C & T, ficam localizados na Rua da Barra, 925, Bairro Jardim Cruzeiro, na cidade de Feira de Santana, Bahia. Ele é parte do patrimônio da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana). Seu corpo técnico é oriundo dos quadros da universidade.
O Observatório Astronômico Antares é dirigido por Paulo César da Rocha Pope, que é professor do departamento de física, graduado em física, com formação posterior: mestrado, doutorado e pós-doutoramento em astronomia.
Carlos Augusto – Quantas pessoas participam da pesquisa em astronomia na UEFS?
Paulo Pope – O grupo hoje do departamento de física conta com seis professores. Eles se dedicam às áreas de astronomia galáctica, astronomia extragaláctica, astronomia estrelar e a parte de mecânica celeste, sendo contemplada por esses professores.
Carlos Augusto – Ao longo deste ano de 2009, quantas pesquisas foram realizadas e quantas pesquisas foram publicadas?
Paulo Pope – Todas essas linhas de pesquisa que nos realizamos no departamento, que é sobre a formação de estrelas, de galáxia e mecânica celeste, todas elas necessitam ser publicadas. E os principais veículos de comunicação nosso, são as revistas internacionais. Porque elas são indexadas dentro de um índice, coordenado pelo governo federal.
Em media nos temos uma publicação anual de duas publicações por professor. Na média publicamos anualmente cerca de 10 trabalhos científicos, em revistas internacionais da área de astronomia.
Quando se fala no departamento de física, envolvendo os professores de física e astronomia, esse número certamente cresce, podendo chegar a vinte ou trinta publicações, reunindo todo o grupo, de todos os professores da área de física.
Carlos Augusto – Teve algum trabalho científico publicado que ganhou o prêmio? Se houve, qual foi o prêmio? E qual o título da pesquisa?
Paulo Pope – Não que eu mim recorde, essas publicações são mais votadas ao um conhecimento de algum objeto especifico que a gente trabalha, seja na física ou na astronomia em particular. Os trabalhos passam pelo crivo de um comitê de avaliação, antes de serem publicadas em uma revista, mas nenhuma dela recebeu premiação pela publicação.
Carlos Augusto – Dentre as pesquisas realizadas atualmente, qual é que você destacaria e por quê?
Paulo Pope – Nos começamos a entrar em um projeto chamado exobiólogia. Pois astronomia hoje é uma ciência interdisciplinar, não é mais aquela coisa somente do universo. Quando você fala do universo começa a falar de outras áreas do conhecimento. Nós temos a física, com a biologia e a astro biologia, na química nos temos a astroquímica.
Em particular, um recente projeto começou com a biologia na forma de busca de vida fora do sistema solar chamado de exobióloga. Nós tivemos um projeto aprovado recentemente pelo CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Um consórcio de instituições coordenadas pela universidade federal do Rio Grande do Norte, do qual o nosso grupo de astronomia faz parte. Que tem por objetivo estudar estrelas, planetas orbitando estrelas.
Existe cerca de 300 planetas descoberto orbitando outras estrelas fora de nosso sistema solar. Desses planetas, nós estamos interessados naqueles que estão na chamada zona de habitabilidade. O sistema solar da Terra que tem os planetas, Mercúrio em ordem a partir do sol, Vênus, Terra e Marte. Possuem características e padrões que buscamos fora da Via Láctea.
A Terra é uma zona bem interessante, para que a forma da água liquida ela exista. Você vai um pouquinho para frente e Mercúrio é muito quente, Vênus é muito quente, então você não teria como ter água em forma liquida. Um pouquinho para fora, Marte é muito distante, muito gelado, a forma liquida não está presente. Então a Terra está em uma zona em que a forma liquida é encontrada. E essa forma particularmente é importante para o tipo de organização de vida que a gente conhece no nosso planeta exista.
Nós estamos interessados em descobrir estrelas, planetas orbitando estrelas, distante da Terra e do Sol. Para que possa estar na zona de habitabilidade e a água existir em forma liquida. Poderemos responder aquelas perguntas integrantes: Estamos sozinhos no universo ou não? Nossas pesquisas estão começando a ter um direcionamento, alem daquelas usuais nossas, alem da parte de exobiólogia ou busca de planetas orbitando estrelas fora de nosso sistema solar.
Carlos Augusto – O departamento de física costuma publicar pesquisa? Geralmente elas são publicadas aonde, ou em quais veículos?
Paulo Pope – Tanto em periódicos nacionais, quanto periódicos internacionais, essas publicações periódicas são importantes para o departamento. Porque a universidade se baseia no ensino na pesquisa e na extensão. Para a pesquisa é fundamental que se coloque a produtividade científica em periódicos.
Nós temos alguns periódicos nacionais, mas a grande maioria são os periódicos internacionais. Porque eles têm um impacto muito maior. E isso acaba fazendo com que nossa produtividade seja reconhecida em particular pelo CNPQ, e isso permite que a gente consiga projetos, aprovação de projetos. Então os projetos que são realizadas hoje em pesquisa, depende justamente do seu currículo e da publicização dos trabalhos do pesquisador.
Se você tem uma produtividade boa, justifica projetos, justifica investimentos, para dar continuidade as suas pesquisas. Então o departamento de física, assim como outras áreas da universidade, faz um esforço muito grande para que essa produção seja colocada nos periódicos, todos eles indexados, quer seja nacional ou internacional. Na área de astronomia em particular, nós temos uma única publicação no Brasil que é o Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira.
Carlos Augusto – Em Feira de Santana os veículos de comunicação costumam publicar as pesquisas realizadas pelo Observatório Antares?
Paulo Pope – Geralmente os projetos de extensão elas são bem mais vinculadas do que os nossos projetos de pesquisa. Porque as pesquisas são muito especificas. São trabalhados em um âmbito bem mais restrito, entre nós pesquisadores onde estamos envolvidos. Mas os projetos de extensão que nós desenvolvemos no observatório em particular, eles tem uma dimensão muito maior, e leva a um maior envolvimento com a comunidade e com a sociedade.
Todos esses projetos, todas essas divulgações que realizamos esses artigos, publicações, eles são vinculados junto à comunidade através da mídia escrita, falada ou televisiva. Dentre os projetos que temos aqui, por exemplo, o parque dos dinossauros, o parque espacial e outros todos eles tem uma repercussão muito maior do que nossos projetos de pesquisas, que são bem mais específicos e não tem um retorno imediato para a sociedade.
Carlos Augusto – Como você avalia o espaço que a imprensa de Feira de Santana dedica a publicação cientifica de seu departamento?
Paulo Pope – Voltando essa temática, nos tivemos com a implantação deste projeto nosso de museu mesmo antes uma visitação da imprensa muito grande de divulgar esses nossos projetos. E esses projetos são mais votados para a parte de extensão, a divulgação cientifica, não é simplesmente um projeto que envolve a comunidade, envolvem as escolas, a gente quer realmente discutir a ciência com eles. Então nesse sentido a mídia em modo geral tem dado sim uma visibilidade muito grande nesses projetos, muito maior do que na parte de pesquisa.
Novamente por parte da pesquisa ela é muito restrita, muito especifica de matemática, e muito complicada de você traduzir na linguagem simples, que seja de fácil entendimento, o que nós estamos realizando. Mas os projetos de divulgação de extensão estes sim tem uma dimensão muito grande dada pela mídia de Feira de Santana e até mesmo de fora, por conta desse nosso projeto que inauguramos o Museu Antares de Ciência e Tecnologia.
Carlos Augusto – Fazendo uma analise autocrítica, como você avalia o papel do departamento de Física da UEFS em divulgar a pesquisa cientifica?
Paulo Pope – Existe um esforço muito grande da universidade em colocar para fora a produção quer seja cientifica, quer seja cultural, independente do departamento que a universidade realiza. É uma troca necessária para a universidade, e ela só existe, se ela obedecer a esse papel social. Não adianta uma universidade que realizar pesquisas, se ela confine nas estantes a sua produtividade.
Eu entendo que em algumas áreas, existe uma restrição muito grande daquilo que você ta fazendo. E traduzir aquilo de uma forma muito simples para o grande público, é complexo e diferente da parte de divulgação cientifica, da parte de extensão, onde a troca é muito mais fácil de ser feita. Mas a universidade tem feito um esforço muito grande para que toda a produção do conhecimento que ela gera, seja colocada a serviço da população. Mostrando a contribuição da universidade para a melhoria da sociedade.
Carlos Augusto – Existe algum trabalho que busque envolver a comunidade na produção cientifica do departamento de física?
Paulo Pope – Tem, nós temos alguns projetos, não somente em Física e Astronomia, mas em outro departamento onde a comunidade está envolvida. No observatório em particular nós temos um recente projeto que foi implantado no museu, que é o Centro Digital de Cidadania, onde além da parte de inclusão digital, a proposta do Observatório é que esteja integrado em ações de divulgações do observatório, ou seja, a pessoa da comunidade que começam ter acesso da Inclusão Digital também começa a participar das atividades do Observatório. Integrando as atividades de inclusão digital com as dos observatório.
Para o público que visita o observatório, nós tentamos mostrar o que é astronomia o que é essa ciência, o que ela produz quais os benefícios que ela pode trazer a curto, médio ou longo prazo para a sociedade. Nós envolvemos as escolas nas atividades do observatório. E isso também se replica nas outras atividades da universidade, quer seja do departamento de física, ou de biologia, qualquer departamento onde tem essa troca com a universidade.
Porque a universidade publica está sustentada dentro de três grandes pilares, o ensino, a pesquisa e a extensão. E é justamente nessa extensão que existe uma troca com a comunidade. Essa troca pode ser tanto no campo da ciência, como também no campo da cultura, arte, etc.
Carlos Augusto – A pesquisa cientifica produzida por vocês, tem alguma utilização prática para a vida da comunidade de Feira de Santana?
Paulo Pope – No que tange a pesquisa em sim, eu diria não, ela pode se transformar em longo prazo, um exemplo claro disso é que todas as pesquisas que foram feitas no inicio do século XX, com a chegada da chamada física quântica ou da mecânica quântica, geraram posteriormente toda uma facilidade que nos temos hoje. Então o uso do celular, o uso do GPS, o uso de uma comodidade de uma televisão, onda de rádios, outra frequência, ar-condicionado, tudo isso veio fruto de pesquisa.
Então as pesquisas que são feitas ou realizadas hoje, talvez elas não tenha um retorno rápido para a sociedade em particular de Feira de Santana. Mas com certeza, daqui alguns anos, todas essas pesquisas poderão se converter em algum beneficio para a sociedade. Tem algumas pesquisas que são feitas e o retorno é imediato, outras elas demoram um longo prazo, a astronomia situa-se neste posto. Ela geralmente demora um bom tempo para que aquele resultado possa ser convertido em alguma utilidade para a sociedade.
Então nossa pesquisa realizada atualmente não possuiu retorno imediato para a comunidade. Ao passo que os projetos que nos temos de divulgação cientifica de extensão, isso sim, tem um impacto direto para a sociedade. Ou seja, desmistificando os conceitos errôneos, que a população tem sobre o universo de modo geral, no campo da astronomia contribuindo para a melhoria do ensino de ciência com esses projetos que nós temos implantados e outros que virão. Então esses projetos sim tem um retorno rápido, acabamos influenciando os jovens na busca da ciência como meio de elevar o espírito e aprimorar a sociedade.
Saiba +: Observatório Astronômico Antares (Fonte:
Observatório Astronômico Antares. Latitude: 12° 14′ 21”S, Longitude: 38° 58′ 46” W , Elevação: 256 metros.
O Observatório Astronômico Antares foi fundado em 25 de Setembro de 1971 pelo Prof. Augusto César Pereira Orrico, e incorporado à UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA em agosto de 1992, como uma Unidade de Desenvolvimento Organizacional. Desde então, em compasso com o Departamento de Física, vem ampliando as suas ações e atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária.
Apresenta um conjunto de instalações físicas equipadas com instrumentos destinados ao estudo permanente dos fenômenos astronômicos, sejam eles astrométricos ou astrofísicos. Contudo, pelo fato de estar localizado dentro da cidade de Feira de Santana, não apresenta um local adequado para a pesquisa observacional. Em geral, os observatórios astronômicos devem estar longe da poluição luminosa das grandes cidades, em um sítio de grande transparência atmosférica, com pouca luminosidade e de clima seco.
Várias atividades são desenvolvidas com professores e estudantes dos ensinos fundamental e médio das redes pública e privada, além do público em geral, destacando-se as observações com telescópios automatizados, cursos, palestras, laboratórios, projeções de vídeo, sessões no planetário, etc.
No ensino superior, disciplinas de Astronomia e Astrofísica são ministradas para os estudantes dos Cursos de Licenciatura e Bacharelado do Departamento de Física da UEFS.
Vale ainda ressaltar que, a partir de Fevereiro de 2008, o Curso de Especialização Interdisciplinar em Astronomia (com as áreas de Física, Química, Biologia, Matemática e Geografia) foi iniciado com o objetivo de contribuir para uma melhor formação dos professores da rede pública de ensino do Estado da Bahia.
No campo da pesquisa, a qualificação dos professores a nível de pós-doutorado, permite desenvolver projetos nas áreas de Astrometria, Física Solar, Astrofísica Estelar e Astronomia Extragaláctica.
Finalmente, no campo da extensão universitária, os projetos são desenvolvidos no âmbito do Museu Antares de Ciência e Tecnologia.
Percepção Pública da Ciência e Tecnologia
Na recente pesquisa nacional sobre Percepção Pública da Ciência e Tecnologia, produzida entre os dias 25/11 e 09/12 de 2006, pelo Departamento de Popularização e Difusão da C&T, órgão da Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, conta com 2% de participação, o Observatório Antares, dentre as diversas instituições que se dedicam a fazer pesquisa científica em nosso país, segundo o levantamento do interesse, grau de informação, atitudes, visões e conhecimento que os brasileiros têm da Ciência e Tecnologia.
Esse fato claramente ratifica, por um lado, o mérito científico dos nossos projetos que são aprovados com financiamentos pelas diversas agências de fomento e, por outro, as diversas ações de divulgação de ensino, pesquisa e extensão que realizamos neste centro de referência (Projeto PECS – Apoio Vitae).
Museu Antares
Um museu é uma instituição permanente, desprovida de fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, aberto ao público, que coleta, conserva, pesquisa, comunica e exibe, para fins de estudo, educação e recreação, evidências materiais do homem e de seu ambiente. Portanto, esta é a definição que acolhemos, adotada pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), para singularizar essas fascinantes, complexas e diversificadas entidades que constituem um dos mais nobres pleitos da inquestionável evolução do conhecimento humano.
Nossa Missão: Aproximar, com o objetivo de atingir uma compreensão mais plena da realidade, i.e., dos avanços científicos e das inúmeras conquistas tecnológicas associadas, pessoas, ciências e tecnologias.
Objetivos Gerais: Despertar e desenvolver o espírito científico e tecnológico da população em geral; popularizar a ciência e a tecnologia através da alfabetização científica, dentro de um processo de inclusão social a partir de modernos sistemas de aprendizagem; contribuir para a melhoria, ampliação e valorização do ensino de Ciências e Matemática, através do aspecto interdisciplinar da Astronomia; contribuir para a melhoria da formação de professores (especialização “lato sensu”, resoluções CONSEPE 22/2005 e CONSU 05/2005); produzir materiais e programas educativos; estabelecer intercâmbios com instituições congêneres; incrementar a pesquisa científica, tanto básica quanto aplicada; estimular a abstração, a curiosidade científica e tecnológica; a prática da observação e da experimentação; a crítica através de indagações científicas; o gosto pela ciência através de recursos áudio-visuais modernos e o aprendizado através do “Projeto Oficinas”.
Objetivo de Desenvolvimento: Consolidar o Museu Antares de Ciência e Tecnologia como um centro de divulgação científica, tecnológica e cultural.
Metodologia: Difusão e popularização científica e tecnológica “na” e “fora” da Escola, despertando habilidades sociais e mentais através de diversas ações promovidas pelo Museu Antares, sendo a Astronomia, o veículo motivador. Nesse contexto, o projeto objetiva ter na Escola o eixo de mudança, no Estudante/Professor o centro da reforma e na Sociedade o foco dessa transformação.
Público Alvo: Público em geral, professores e estudantes das escolas públicas dos Ensinos Fundamental e Médio. Escolas Particulares também poderão ser beneficiadas pelo projeto, desde que uma contrapartida seja apresentada.
Local de Funcionamento: Observatório Astronômico Antares (área = 10 mil m²)
Realização: Universidade Estadual de Feira de Santana, Observatório Astronômico Antares, Departamento de Física.
“Temos uma meta ambiciosa, pois pretendemos que assuntos científicos sejam discutidos nos bares e botequins com interesse comparável ao futebol e às novelas. Quando isso ocorrer, o país certamente terá sistemas de Ciência e Tecnologia, de Educação e de Comunicação muito mais avançados que os atuais.”
Dados para contato
JOSÉ CARLOS BARRETO DE SANTANA, Reitor
WASHINGTON DE ALMEIDA MOURA, Vice-Reitor
PAULO CÉSAR DA ROCHA POPPE, Diretor do Observatório Antares
Telefax: 55-75.3624.1921 e Cel: 75-9132-7967 | Email: paulopoppe@gmail.com
VERA APARECIDA FERNANDES MARTIN, Coordenadora de Ensino e da Especialização
MARILDO GERALDETE PEREIRA, Coordenador de Extensão e Vice-Coordenador da Especialização
Observatório Astronômico Antares
Museu Antares de Ciência e Tecnologia
Rua da Barra, 925 – Jardim Cruzeiro
44015-430 Feira de Santana – Bahia – Brasil







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