Lula assina contrariado decreto com sanções ao Irã, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou “contrariado” o decreto que regulamenta uma nova rodada de sanções econômicas contra o Irã, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em junho.

“O Brasil faz isso contrariado, porque votamos contra esta resolução”, disse o ministro Amorim, logo depois de participar de uma reunião ministerial com o presidente Lula.

“Não acreditamos que (a medida) contribua para resolver o problema do programa nuclear iraniano”, acrescentou.

Brasil e Turquia, que participam como membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, votaram contra a aplicação das sanções. A medida foi defendida principalmente pelos Estados Unidos, com o apoio de outras potências que integram o Conselho.

As sanções foram aprovadas com o argumento de que o Irã estaria desenvolvendo um programa nuclear com fins militares.

Entre as medidas está a proibição da venda de várias categorias de armamentos pesados ao Irã, inclusive helicópteros de ataque, mísseis e navios de guerra.

Além disso, a resolução pede que todos os países inspecionem, em portos e aeroportos dentro de seus territórios, cargas suspeitas de conter itens proibidos a caminho do Irã ou vindos do país.

Multilateralismo

Mesmo tendo sido voto vencido, o Brasil irá adotar as penalidades contra Teerã por “ser fiel ao multilateralismo”, segundo Amorim.

“O presidente Lula assinou o decreto porque o presidente Lula tem a tradição de cumprir com as resoluções do Conselho de Segurança, mesmo quando não concorde com elas, por ser fiel ao multilateralismo e por ser contra decisões unilaterais”, disse o ministro.

As sanções foram aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU menos de um mês depois de Brasil e Turquia terem intermediado uma proposta de acordo com o Irã a respeito de seu programa nuclear.

Naquela semana, em uma entrevista à BBC Brasil, Amorim disse ter ficado “desapontado” com a reação dos Estados Unidos e outros membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, referindo-se ao fato de terem ignorado a tentativa de acordo entre Brasil, Turquia e Irã.

Asilo

Amorim também disse que governo brasileiro formalizou, junto ao governo do Irã, uma proposta de asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério.

“O presidente Lula expressou o oferecimento do Brasil de recebê-la, se isso ajudar a evitar a execução”, disse o chanceler.

Ainda segundo Amorim, o embaixador brasileiro em Teerã foi “instruído” a comunicar a proposta à chancelaria iraniana.

“A nosso ver, a formalização desse oferecimento é o sentimento do povo brasileiro diante de algo que é desconcertante para a nossa cultura e para o nosso modo de ver”, acrescentou.

Segundo Amorim, as autoridades iranianas ainda não se manifestaram sobre a oferta brasileira.

A proposta de asilo no Brasil havia sido sugerida informalmente por Lula há duas semanas, durante um comício.

“Apelo a Mahmoud Ahmadinejad que permita ao Brasil conceder asilo a esta mulher”, disse o presidente na ocasião.

*Com informações da BBC Brasil


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