No Brasil dos últimos tempos, observa-se durante as campanhas eleitorais que, o “fazer política” está cada vez mais parecido e equivalente a torcer por um time de futebol, sobretudo em se tratando de clássicos estaduais como o Bahia X Vitória ou Corinthians X Santos. É muita emoção para pouca razão; muito ego para pouca causa coletiva; muitos EU’s para poucos NÓS, no contexto de um processo em que a finalidade precípua é (pelo menos deveria ser) o bem comum.
A título de exemplo, assim como a torcida do flamengo nunca venha a admitir que hipoteticamente o Vasco represente o Brasil em uma Libertadores, tendo em vista que este pressupostamente tenha se sagrado campeão no Brasileirão, o mesmo tem acontecido no campo da política: Por mais que o candidato seja efetiva e comprovadamente o melhor para representar a população na Administração do Brasil, a paixão, o “cada um por si e Deus por todos” e os “dogmas” partidários jamais permitirão que o(a) eleitor(a) do oponente postulante ao referido cargo perceba e / ou admita tal verdade.
Nesta perspectiva, cada um faz jus à máxima de que, no campo da política eleitoral, “a verdade está mais no olhar de cada um do que naquilo que é olhado”.
Em lugar da predominância e da supremacia e do interesse público, no sufrágio universal tem cada vez mais imperado a conveniência pessoal, quer seja por questões de ordem econômica ou religiosa, quer seja por fatores de uma natureza tal que provavelmente possam ser explicados, senão pela sociologia, pela psicologia.
Quem sabe seja menos doloroso fazer o jogo do contente e conceber esta tendência como sendo um aspecto que, por sua marcante presença no inconsciente coletivo e no imaginário popular, já está incorporado à cultura do brasileiro, isentando-nos, assim, da culpa e da responsabilidade pela velha e propalada falta de educação e consciência política.
Há algumas décadas, sobretudo a partir da ditadura militar, quando no Brasil imperava sub-desenvolvimento econômico e social, a cidadania era seriamente comprometida pela falta de liberdade de expressão e de um condigno acesso à informação e ao conhecimento.
Hoje, na era pós-capitalista da sociedade da informação (ou do conhecimento), com a democracia na “crista da onda”, quando o Brasil já figura no cenário mundial como um país emergente (em desenvolvimento), a cidadania resta ainda seriamente comprometida, porém pela degradação dos valores éticos e morais.
Reportar à crise desses nobres valores humanos (éticos e morais) no processo político-administrativo do Estado Democrático e de Direito Brasileiro, pressupõe tanto repensar as instituições sociais da família, da religião e da educação, quanto necessariamente refletir sobre sintomáticos fatos e fenômenos sociais, tais como: O político e o eleitor que se permitem à compra e venda do voto; a migração indiscriminada de políticos de um partido (de esquerda ou de direita) para outro (de direita ou esquerda) a despeito da corrente ou linha ideológica; a debochada e oportunista candidatura de “celebridades” (Tiriricas ou não) descaradamente descompensadas e desprovidas de qualquer nexo com o mundo político-institucional; a legalização da prostituição como profissão, quando o politicamente correto seria dotar a mulher (ou homem) de uma condição de dignidade tal que não mais fosse preciso se prostituir; a posição falso-moralista e contraditória de determinadas instituições em relação ao aborto, ao casamento gay e a qualquer forma de desvio de conduta e de injustiça social, quando, além da dogmática inibição da ascensão social da mulher (no âmbito da própria instituição), há tempos se noticia que em suas próprias estruturas são praticados o homossexualismo e a pedofilia.
Assim, não se pode negar que na atual conformação da sociedade hiper-moderna o brasileiro esteja “se achando”, principalmente no que tange ao fácil acesso ás informações e ao conhecimento, no caso, acerca dos procedimentos e do processo político.
Contudo, “na moral”, caros(as) concidadãos(ãs), enquanto eleitores(as) estamos cada vez mais “céticos”, na medida em que cada vez menos somos (inclusive e sobretudo os políticos) éticos.








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