Crise muda planos de dekasseguis e muitos decidem voltar ao Brasil

“Metade das reservas para o mês de dezembro foram canceladas”, conta o dono da agência de turismo Azuma, de Nagóia, província de Aichi, Oswaldo Higashi, 58 anos. “O pessoal está com medo de viajar no Natal e perder o trabalho”, acrescenta.

Os pacotes de viagem para países da Ásia, como Indonésia e Tailândia, também não fazem mais tanto sucesso. “A procura caiu pela metade”, diz Higashi.

Por outro lado, as reservas de ida para o Brasil, que representavam 50% das vendas da agência, agora, são a maioria: cerca de 70%, segundo o dono da Azuma.

Na filial da província de Gunma da Alfainter, outra agência de viagem brasileira, o quadro é o mesmo: as reservas de passagens somente de ida para o Brasil aumentaram de 50% para 70% do total.

Mas, de acordo com o gerente Arnaldo Shiowaki, os clientes só devem embarcar nos meses de janeiro, fevereiro e março. “Acredito que as pessoas queiram receber o seguro-desemprego antes de ir embora”, opina.

Outro indício de que os brasileiros estão voltando ao país natal é a grande quantidade de remessas de dinheiro. Segundo a reportagem apurou com os bancos brasileiros no Japão, a procura pelo serviço aumentou bastante nos dois últimos meses.

“No entanto, é preciso ressaltar que a taxa de câmbio também contribuiu para este aumento”, lembra George Makoto Okuda, diretor representante do Bradesco. Com o dólar valorizado no Japão e o real desvalorizado no Brasil, o dekassegui acaba tendo um pequeno lucro.

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Solução é voltar

Mayumi Mieno, 28, é uma que não descarta a volta ao país natal. “A minha família está toda aqui, mas se a crise não passar logo, vamos voltar para o Brasil”, diz ela, que está cumprindo aviso prévio.

A pequena fábrica de autopeças para a qual Mayumi trabalha há seis anos, em Gunma, vai fechar as portas no final de janeiro. E, neste mês, as mulheres passaram a trabalhar uma hora a menos.

A brasileira está assustada, pois o namorado já não tem mais as quatro horas extras diárias que fazia e o cunhado, pai de duas crianças pequenas, foi demitido. Ela, os pais e os irmãos moram há 12 anos no Japão e têm visto permanente.

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Corte de gastos

Desde quando entrou em uma fábrica de componentes eletrônicos, na cidade de Oizumi, em Gunma, há três anos, Adriana Ferrari, 28, trabalhava de segunda a sábado, das 8h às 20h.

Nos últimos meses, porém, a carga de trabalho dela e dos demais colegas foi reduzida drasticamente. Os sábados foram cortados e algumas sextas-feiras também. “O salário caiu bastante porque o sábado contava como hora extra”, lamenta.

O jeito foi enxugar o orçamento doméstico, mandar menos dinheiro para a família que está no Brasil e rezar para não ficar desempregada.

Outro que já começou a cortar gastos, principalmente os supérfluos, é André Luis Fujiwara, 38, que vive em Minokamo, província de Gifu. Ele está há menos de uma semana desempregado, mas a esposa continua na fábrica.

“Tínhamos a intenção de voltar ao Brasil para estudar e esperar as coisas melhorarem por aqui. Mas ouvimos que as coisas por lá também não estão nada bem”, diz o brasileiro, que ainda não sabe o que vai fazer, já que arranjar vaga em outra empresa está complicado. “Vou continuar tentando”, afirma.

Leia mais sobre a crise econômica no especial


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