Não se aproveitar das ONGs | Por José Carlos García Fajardo

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O que aconteceria se tivessem eleito a um parlamentar de qualquer partido político, de direitas ou esquerdas, como presidente de uma Organização Não-Governamental de prestígio? Que sentido teria uma organização não governamental se perdesse esta característica fundamental? Para o grande público, não-governamental (ou OSC) é uma garantia de imparcialidade, de resposta e proposta desde o tecido social, ou sociedade civil, à desigualdades injustas. Que busca a paz como fruto da justiça, a igualdade entre os seres humanos sem distinção originária, a não ser que proceda de sua atuação pessoal, e que a liberdade encontre a garantia de sua eficácia.

Esse altruísmo e generosidade é o que atrai os candidatos ao voluntariado social humanitário e despertam a admiração, simpatia e colaboração, de pessoas de todas classes.

Não-governamental não significa que não se pertença ao governo da vez, nem tampouco ao partido político que possa chegar a governar e manejar os fundos públicos.

Tampouco significa que os membros das ONG, os voluntários sociais e aqueles que trabalham em projetos de cooperação, não tenham idéias políticas nem opções religiosas. São cidadãos, e dos mais comprometidos, que sabem distinguir entre uma política ou otra, entre uma opção ou outra contrária, guiados pelo melhor serviço à comunidade e às pessoas, sem ter que pertencer a nenhum grupo político ou religioso determinado.

O voluntariado social se caracteriza e distingue de outras formas de altruísmo ou beneficência por cinco características fundamentais: gratuidade, o doar de si mesmo sem esperar nada em troca; continuidade, no serviço atribuído; livre escolha da atividade que mais lhe agrade; participar em um projeto dentro de uma organização humanitária séria e responsável; e conhecimento e respeito dos povos e suas culturas. Isto é o que lhes distancia do assistencialismo, do voluntarismo, do diletantismo e do proselitismo. O voluntario social acompanha, busca as causas da injustiça, denuncia-lhes e aporta propostas alternativas, mas não confunde a realidade com seus desejos, nem se aproveita de organizações humanitárias como meio para um fim.

Em certo sentido, é um perigo que as ONGs estejam de moda porque são desejadas pelas empresas, pelos políticos e pelos grupos religiosos, através do que lhes falta: aos que não esperam nada em troca, basta-lhes a consciência da solidariedade humana. Para transformar uma sociedade que não gosta de voluntários de ONGs começam por mudar a si mesmos.

*Por José Carlos García Fajardo


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