Professores da UEFS decidem continuar em greve

Em assembleia na manhã de hoje (19/04/2011) com a participação expressiva de professores da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) a greve iniciada no dia 11 de abril foi mantida. Os professores avaliaram o resultado das duas últimas reuniões com o governo, no dia 12, sobre o Decreto 12.583/11, e no dia 15, sobre o acordo salarial, na Secretaria de Educação. Apesar de afirmar que não negociaria com a categoria em greve, os representantes do governo receberam os professores, mas relataram que não seria possível retirar a cláusula do acordo salarial que congela os salários até 2014, só poderiam mudar a sua redação, mas mantendo alguma restrição para as futuras reivindicações. Os representantes do governo ficaram de conversar com o Secretário de Educação para definir se vão voltar a negociar, apresentando uma contra proposta, e responder a categoria até amanhã (20/04).

Diante da falta de vontade do governo em solucionar os problemas que levaram os professores da Uefs, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) a deflagrar greve por tempo indeterminado, a categoria preparou um novo calendário de mobilizações. Na próxima terça (26), às 17h30, haverá uma manifestação com “queima de Judas” e atividades culturais no campus da Uefs e nos campi das outras três Universidades. Ainda na terça (26), os professores da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), em Salvador, vão paralisar as atividades e participar de uma assembleia para avaliar se vão aderir a greve, os técnico-administrativos também vão paralisar. A depender da resposta de amanhã do governo, a categoria irá organizar uma manifestação na quinta (28). Uma nova assembleia de avaliação da greve foi marcada para 03 de maio, às 09 h, no auditório 4 do módulo 6, da Uefs.

Os professores reivindicam a revogação do Decreto 12.583/11, que reduz o investimento do governo no funcionalismo público, e a retirada da cláusula 2 do acordo salarial apresentada pelo governo no final de 2010 com o intuito de congelar os salários dos professores até 2014.

O governo esteve reunido na terça (12/04) com os Reitores e com a representação dos estudantes, técnicos e professores das quatro Universidades avaliando o Decreto 12.583/11. Durante a reunião, os representantes do governo apresentaram um documento que define medidas para diminuir o impacto do Decreto nas Universidades. O documento aumenta a interferência nas Universidades fazendo com que os reitores administrem seus orçamentos sob a prévia aprovação de instâncias do governo. “O governo continua atacando a autonomia das universidades. O documento só atrela o orçamento que as Universidades já tinham a aprovação do governo. Ele não soluciona nossos problemas e os demais setores do funcionalismo público continuam sendo atingidos pelo contingenciamento de recursos”, afirma o diretor da Associação dos Docentes da Uefs (Adufs), Otto Figueiredo.

As negociações entre o governo e os professores pela incorporação da gratificação CET (Condições Especiais de Trabalho) ao salário base duraram mais de um ano. Os professores, demonstrando sua capacidade de negociação, aceitaram o pagamento da incorporação de forma parcelada até 2014. No entanto, no dia da assinatura do Acordo o governo surpreendeu a categoria incluindo no documento uma cláusula que os impedia de fazer reivindicações com impacto no orçamento do estado até 2014. “Era óbvio para o governo que não assinaríamos o acordo com essa cláusula. Demonstramos a nossa vontade de negociar, mas parece que o governo prefere o enfrentamento. Já recebemos os piores salários do Nordeste, não podemos passar quatro anos sem reivindicar melhorias”, afirma o coordenador da Adufs, Jucelho Dantas.

Durante a assembleia, em vários depoimentos, os professores demonstraram que não estavam satisfeitos em estar em greve, mas que essa era a única ferramenta para serem ouvidos. “A greve é nossa forma de mostrar para sociedade que a Universidade está passando por problemas e que precisamos exigir do governo melhorias. Precisamos defender o direito da nossa sociedade de ter uma Universidade pública e de qualidade. A educação é o maior patrimônio que nosso povo pode ter e o melhor caminho para transformação da nossa realidade social”, finaliza o professor, Jucelho.


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