Salvador: órgãos públicos, entidades de classe e cidadãos debatem gerenciamento costeiro

MPF promove debate sobre meio ambiente.
MPF promove debate sobre meio ambiente.
MPF promove debate sobre meio ambiente.
MPF promove debate sobre meio ambiente.

O Ministério Público Federal na Bahia sediou nesta quarta-feira, (24/08/2016), audiência pública para discussão da nova regulamentação sobre o gerenciamento costeiro no país. Representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além de entidades de classe e cidadãos participaram do evento coordenado por Pablo Barreto, procurador da República e representante da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) do MPF na Bahia.

Barreto ressaltou que a audiência tinha como objetivo ouvir todas as partes envolvidas sobre as novas demandas e os possíveis conflitos que podem surgir a partir da transferência da gestão das praias da União aos municípios. Segundo o procurador, o termo de adesão que permitirá essa transferência deve levar em conta as considerações de todos os que conhecem e vivem essa realidade. Para que o tema fosse devidamente explorado, antes do debate alguns convidados apresentaram seus pontos de vista a partir de sua experiência em trabalhos com a zona costeira.

Além do procurador que coordenou o evento, também compuseram a mesa de abertura: o procurador da República e representante da 6ª CCR na Bahia, Leandro Bastos Nunes, a procuradora da República e representante da 6ª CCR em Sergipe, Lívia Nascimento Tinôco, a promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente e Urbanismo e vice-diretora Nordeste da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente, Cristina Seixass Graça, a analista ambiental do Departamento de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente, Márcia Regina Lima de Oliveira, o coordenador-geral de Desenvolvimento de Infraestrutura do Departamento de Destinação Patrimonial da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), André Nunes, o superintendente da Superintendência do Patrimônio da União em Sergipe, Teófilo Melo da Silva, e o presidente da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil, Luiz Viana Queiroz.

Em sua apresentação Rubem Angel Zaldivar Armua, diretor de Política e Planejamento Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, explanou diversas questões já verificadas no Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro: “Fico preocupado com a estruturação dos municípios, com o uso das praias, com o seu acesso à população, com a degradação pela atividade portuária, com a erosão”, apontou Armua. De acordo com ele, as zonas costeiras já apresentam problemas de difícil solução e grande parte dos municípios não têm estrutura para assumir essa gestão.

Márcia Regina alertou que a ocupação da zona costeira deve ser pensada com muito cuidado, tendo em vista que é ocupada por quase 25% da população nacional. Segundo a representante do Ministério do Meio Ambiente, outro ponto a ser analisado é a inconstância das marés e as mudanças climáticas: “Não há linha de praia fixa para a natureza. Têm que haver uma preocupação com o fato de que uma faixa que hoje é ocupável, amanhã poderá estar dentro do mar”.

A analista ambiental apresentou, ainda, a importância da implementação do Projeto Orla – previsto no Decreto nº 5.300/2004: “O Orla leva em conta a faixa costeira e compatibiliza questões políticas, ambientais, patrimoniais e urbanas, garantindo a função social e o acesso à praia, estimulando atividades econômicas compatíveis com o desenvolvimento sustentável”.

O representante da SPU, André Nunes, e o coordenador-geral da Coordenação-Geral Jurídica de Atos Normativos do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Marcelo Azevedo de Andrade, apresentaram as premissas que já estão sendo utilizadas na elaboração do Termo de Adesão. De acordo com eles o termo deve possibilitar uma gestão compartilhada, a racionalidade de uso das praias, o apoio às políticas de projetos primários para desenvolvimento, e uma parceria entre entidades e órgãos responsáveis.

“Em 1º de novembro teremos o primeiro Termo de Gerência, mas as discussões sobre o tema devem continuar, porque cada decisão tomada trará um ponto positivo ou negativo para os órgão, entidades e para a população”, destacou Nunes. Ele apresentou, ainda, diferentes casos de uso das praias, em diversas cidades do país, e apontou a importância de se levar em consideração as realidades locais ao se avaliar o uso regular da região costeira.

A última apresentação foi feita por Maria Quitéria Mendes de Jesus, presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB/BA), que se mostrou apreensiva diante da responsabilidade a ser transferida para as gestões municipais. Segundo ela, é positivo o fato de a receita das atividades realizadas na zona costeira serem revertidas para o município, porém outras questões devem ser analisadas. “A contrapartida financeira é realmente interessante para os municípios. Mas sob que condições os prefeitos deverão agir?”.

Maria Quitéria ponderou que os prefeitos terão que estudar cuidadosamente os requisitos cobrados e identificar a real viabilidade de a administração municipal assumir a administração das praias. “Queremos participar da construção desse termo para garantir uma gestão compartilhada com responsabilidades também compartilhadas”, afirmou a presidente da UPB/BA.

Ao final das apresentações dos convidados, foi iniciado o debate. O vice-prefeito de Porto Seguro, o procurador municipal de Santa Cruz de Cabrália, servidores públicos, cidadãos e representantes de entidades – como Sindicato dos Barraqueiros de Praia da Bahia, associação de trabalhadores Asspraias –, dentre outros, aproveitaram o espaço para expor suas preocupações e tirar dúvidas quanto ao impacto econômico, político, social, arquitetônico, ambiental e cultural trazido pela mudança administrativa.

Terminado o debate, Pablo Barreto agradeceu a presença de todos e informou que o material será reunido e enviado ao MPF-Gerco para que as diversas questões sejam analisadas e consideradas na elaboração do Termo de Adesão.

MPF-Gerco

Esse evento foi realizado pelo MPF/BA a partir de uma iniciativa do projeto MPF pelo Gerenciamento Costeiro (MPF-Gerco) da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão (meio ambiente e patrimônio cultural) que tem a finalidade de desenvolver modelos de atuação para auxiliar os membros que atuam na região costeira do país. O MPF-Gerco pretende facilitar o trabalho integrado na proteção da costa brasileira e na solução e prevenção de conflitos, aproveitando, quando possível, os mecanismos do Projeto Orla. Outras audiências públicas para discutir os impactos da implementação da Lei nº 13.240/2015 já foram realizadas pelo MPF no Rio de Janeiro e em Brasília.

Em breve serão disponibilizados a ata e o vídeo da audiência pública.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.