A Literatura dos Sebos | Por Luiz Carlos Amorim

Visto até pouco tempo atrás como lugar onde só existiam coisas velhas, o sebo vem se desmistificando, constituindo-se em uma ótima opção para a compra de bons livros. Os preços são quase sempre atraentes, se comparados com os praticados nas livrarias. Encontramos, nos sebos, livros que não estão mais no mercado, assim como encontramos lá, também, títulos recentes. Tanto é possível encontrar-se preciosidades, verdadeiras raridades, como é possível encontrar best-sellers em ótimo estado, obras que ainda estão no auge do sucesso editorial. E tudo por preço bem camarada.

Os amantes da boa leitura não escapam: entram num sebo pela primeira vez, apaixonam-se e viram fregueses assíduos, pelas grandes possibilidades de aquisição de bons títulos por preços acessíveis, numa época em que o preço do livro é tão alto.

Todos os gêneros podem ser encontrados num sebo: além da literatura ficcional como os clássicos da literatura brasileira e universal, o romance, conto, crônica, poesia, infanto-juvenil contemporâneos, existem lá livros didáticos, técnicos, religiosos, esotéricos, relíquias de sociologia e ciências políticas e humanas. Além de oferecer revistas, discos de vinil, cds, filmes e gibis.

A aparência de repositório de velharia que o sebo tinha – livros empilhados sem nenhuma ordem ou separação, pouco espaço, desorganização – está mudando. Já existem sebos onde o visitante pode se mover para procurar o que precisa, organizados, com os livros colocados em prateleiras com a lombada virada para fora, classificados por gênero e em ordem por autor. Com aparência de livraria.

A variedade de gêneros e títulos é grande e o acervo varia de sebo para sebo. É agradável garimpar esta ou aquela obra em um sebo bem estruturado, onde se consegue procurar e saber, com rapidez, se nele existe o que precisamos. Mergulhar naquele mundo de livros, de informação e conhecimento e se maravilhar ao encontrar um título que não se esperava conseguir, é quase sublime.

Por que “sebo”? Segundo alguns donos de lojas deste tipo, a palavra remete ao tempo em que não existia a luz elétrica e as pessoas tinham que ler à luz de velas e por isso deixavam as páginas ou as bordas das páginas ensebadas.

O velho sebo, aquela casa sombria e com cheiro de mofo, com livros amontoados sem nenhuma ordem, ficou para trás. No seu lugar, uma livraria que não oferece livros novos e caros, mas livros que já transmitiram algum tipo de conhecimento e estão ali, a espera de outros leitores que deles queiram usufruir.


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