Do Caderno Especial do jornal Feira Hoje, edição nº 186 de sábado, 16 de junho de 1973, destacando o progresso e desenvolvimento da cidade de Feira de Santana no centenário de emancipação política do município.
— Em torno da capela, criada por Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão, nos terrenos das fazendas Olhos D’Água e Boa Vista, começou a surgir uma feira, em entreposto de troca, venda e compra de mercadoria, passagem obrigatória dos vaqueiros e tropeiros que se dirigiam ao Porto de Nossa Senhora do Rosário da Cachoeira, ou a Casa da Torre de Garcia D’Avila.
Era a feira-livre realizada às terças-feiras, passando, depois, para os dias de domingo, e, depois para a segunda-feira, por influência do Padre Ovídio Alves de São Boaventura, paroco dos mais caritativos, criador do Asilo Nossa Senhora de Lourdes, da Sociedade Montepio dos Artistas Feirenses e da Sociedade Filarmônica Vitória.
A oficialização da feira-livre, as segundas, foi feita pela Câmara Municipal em 25 de dezembro de 1854.
O progresso do Arraial de Santana da Feira era, contudo, lento e vagaroso. Tão vagaroso e tão lento que em 1819, por aqui passaram os sábios bávaros Von Sjoc e Von Martins e deram conta, apenas, de um pequeno lugarejo.
Mas a partir daí o povoado avança, desenvolve-se, cresce através suas feiras-livre e do gado, estabelecida, aqui, a última, em decorrência de três fatores principais: área situada no caminho direto para o Recôncavo; rodeada por excelentes pastagens naturais; região atravessada por dois rios e vários riachos.
Foi a feira-livre até 1838, a principal fonte da economia da Feira. Deste ano até 1860, a Câmara Municipal autorizou a criação dos currais, matadouro, campo do gado, com o nome de Campo da Gameleira.
Em 1830 acontece a primeira grande briga política e razão maior para que se criasse a Vila e o Município da Feira de Santana, mesmo que o progresso também tivesse contribuído para essa criação.
Quintiliano Martins da Silva e Macário Cerqueira, o primeiro fazendeiro e proprietário, e o segundo, médico, tiveram profunda desavença política. Um defendendo a permanência da sede da Vila no seu núcleo original São José das Itapororocas; outro desejando a sua transferência para a Feira de Santana, o que se deu por Decreto de 13 de novembro de 1832.
Inconformado, Quintiliano Martins da Silva fincou, na frente das suas fazendas Areias e Canavieiras, a chamada pedra ferrada, marcando, no lado da pedra que fica para São José, hoje distrito de Maria Quitéria, as iniciais QMS.
Este é o primeiro marco da cidade. Ali, naquela desavença, constituiu-se a Vila Nova da Feira de Santana, instalada, conjuntamente com a Câmara Municipal, em 18 de setembro de 1833, sob a presidência do capitão Manoel da Paixão Bacelar.
Antes da decretação dos foros de cidade a Feira participou de três dos mais importantes movimentos nacionais: a Independência, a luta pela Abolição e a Sabinada.
Do primeiro, através de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, nascida na Serra do Licurizeiro; o segundo, por intermédio da luta incansável do bravo e destemido Lucas da Feira, que não mediu esforços, nem sacrifício para defender a sua raça; o terceiro liderado por Manoel Pedro Vital, comerciante nesta Cidade que, inclusive, foi nomeado vice-Presidente da República baiana, de efêmera duração.
Já em 1860 a Feira destaca-se também nas produções de fumo, algodão e artesanato popular.
O Município de Feira de Santana, criado em 1832, abrangia uma área de 12.000 km2, tendo sido desmembrado do Município de Cachoeira.
Em 16 de junho de 1873, o Decreto Provincial 1.320, cria a Cidade da Feira de Santana com o nome de Comercial Cidade da Feira de Santana e, a partir daí, recebe grande incremento no seu desenvolvimento, dirigido pelo presidente do Conselho Municipal dr. Remédios Monteiro, que a dirige até 1890, quando assume Joaquim de Melo Sampaio. Depois assumiram a Prefeitura José Freire de Lima (onze anos) seguindo-se outros.
A Feira cresce em todas as dimensões e em todos os sentidos. O seu desenvolvimento acelera-se com a sua economia deixando o estágio comercial para ingressar na era industrial, através do Centro Industrial do Subaé. A Universidade já vem por aí.
Os cem anos de desenvolvimento e progresso vão atingindo a sua maturidade, assegurando a Feira um futuro de prosperidade e expansão.
*Adilson Simas é jornalista.







