
Por unanimidade, a Comissão de Ética do PMDB decidiu nesta quinta-feira (23/11/2017) expulsar a senadora Kátia Abreu (TO) do partido. De acordo com o presidente da comissão, Eduardo Krause, os membros do colegiado acompanharam por unanimidade o voto da relatora do processo, Rosemary Soares Antunes Rainha. A decisão da comissão foi comunicada de imediato ao presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR).
Em nota, Romero Jucá disse que o PMDB acatará a decisão da comissão. “O partido acatará de imediato a decisão do Conselho de Ética, que expulsou a senadora Katia Abreu. A medida demonstra nova fase de posicionamento do partido”, diz a nota. Com a decisão, a senadora deverá ter cancelado o registro de filiação dela à legenda.
O processo para expulsar a senadora Katia Abreu teve início em setembro do ano passado após ela ter votado contra a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff, contrariando orientação do partido. Ele foi a ministra da Agricultura na gestão de Dilma Rousseff. A senadora ainda tem feito críticas ao governo do presidente Michel Temer e se posicionado contra matérias enviadas pelo governo ao Congresso Nacional, como a reforma da Previdência.
Para a comissão de ética da legenda, a senadora feriu o decoro.
Em sua conta no Twitter, a senadora, que está fora do Brasil, afirmou “que ficará sem partido e que irá conversar com a população do Tocantins e “com as lideranças sérias do país antes de decidir o que será melhor para meu estado e o Brasil”. “A minha expulsão não é uma punição, é biografia”, disse.
Dignidade e resistência democrática
A senadora Kátia Abreu (TO) reagiu nesta quinta-feira (23) à decisão do presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), de seguir uma recomendação da Comissão de Ética do partido e expulsá-la da sigla, como punição por suas críticas recorrentes à legenda e ao governo do presidente Michel Temer (PMDB). Por meio de nota divulgada em seus perfis nas redes sociais, a senadora diz ter sido expulsa por “defender posições que desagradam ao governo” e “dizer não a cargos, privilégios e regalias do poder”.
“A mesma comissão de ‘ética’ não ousou abrir processo contra membros do partido presos por corrupção e crimes contra o país”, escreveu a senadora. Entre os expoentes peemedebistas presos estão os ex-ministros Geddel Vieira Lima (BA) e Henrique Eduardo Alves (RN), o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (RJ), o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani.
Confira nota
A comissão de “ética” do PMDB decidiu pela minha expulsão do partido de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Fui expulsa exatamente por não ter feito concessão à ética na política. Fui expulsa por defender posições que desagradam ao governo.
Fui expulsa pois ousei dizer não a cargos, privilégios ou regalias do poder.
A mesma comissão de “ética” não ousou abrir processo contra membros do partido presos por corrupção e crimes contra o país. Fiquei no PMDB e não saí como queriam. Fiquei e lutei pela independência de ideias e por acreditar que um partido deve ser um espaço plural de debates. A democracia não aceita a opressão.
Hoje os membros da comissão de “ética” imprimiram na história do partido que lutou contra a ditadura a mácula do sectarismo e da falta de liberdade.
Ficarei sem partido e vou conversar com a população do Tocantins e com as lideranças políticas sérias do país antes de decidir o que será melhor para meu Estado e o Brasil.
Sigo na luta política.
Sigo com Ética. Sigo sem medo e firme nos meus propósitos, pois respeito minha família, respeito o povo do Tocantins e do Brasil, que ainda acreditam que esse país pode ser melhor.









