Empresa dos Cirurgiões Pediátricos da Bahia ganha licitação de R$ 4,1 milhões, mas desiste de assinar contrato com o Estado; cada médico receberia R$ 205 mil, por 576 horas de trabalho, ao longo de três meses

A empresa Núcleo de Cirurgiões Pediátricos da Bahia Sociedade Simples, que congrega a quase totalidade dos médicos dessa especialidade no estado, venceu o processo licitatório que amplia o atendimento de urgência e emergência aos pacientes que necessitam de cirurgia pediátrica e neonatal. Com o valor global de R$ 4,1 milhões pelo período de 180 dias, a instituição se recusa a assinar o contrato com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB) desde a data de sua homologação, que foi publicado no Diário Oficial do Estado em 4 de abril de 2018.

A SESAB afirma que a razão alegada para desistência seria a obrigação dos plantões médicos serem presenciais, ou seja, os cirurgiões estariam presentes nos hospitais. No entanto, a intenção da empresa é manter parte da força de trabalho em casa, em regime de prontidão (sobreaviso), mesmo o contrato estipulando que todos os plantonistas escalados devem estar trabalhando in loco nas unidades.

O Núcleo de Cirurgiões Pediátricos da Bahia é composto de 20 sócios, que receberiam o valor de R$ 4,1 milhões por 180 dias de trabalho, representando R$ 205 mil para cada médico, que necessitaria trabalhar apenas quatro plantões de 12 horas por semana.

Segundo a SESAB, a participação em um processo licitatório implica na aceitação de todos os termos e cláusulas especificadas no edital, não sendo possível alterar as condições pré-estabelecidas após o certame. Portanto, não é plausível quaisquer argumentações no sentido de que a empresa vencedora não esteja de acordo com o contrato.

Até o momento a Sesab não foi informada oficialmente sobre o desinteresse da empresa no contrato, mesmo o Governo do Estado questionando-a formalmente. A desistência implica nas penalidades previstas em Lei, entre elas, a declaração de inidoneidade e inabilitação para contratações com a administração pública, além da aplicação de multa administrativa.

Cartel dos médicos e prática criminosa

Sobre a contratação do Núcleo de Cirurgiões Pediátricos da Bahia, a SESAB afirma, também, que:

— A despeito dos esforços desta Secretaria na formalização de um novo contrato, que veda a contratação de empresas que possuam profissionais com vínculo empregatício com o Estado, bem como sejam sócios, dirigentes ou responsáveis técnicos, o que atende, portanto, à legislação federal e estadual no que tange às normas gerais de licitações e contratos administrativos, a Sesab busca há anos aperfeiçoar o modelo de relações contratuais com os médicos.  Infelizmente, o modelo de contratação pretendido pelo Núcleo de Cirurgiões Pediátricos da Bahia foi considerado inaceitável, visto que garantiria privilégios que não são fornecidos a nenhuma outra especialidade médica contratada pelo estado. Lamentamos que a empresa queira vantajosidades em decorrência do fato de existirem poucos profissionais dessa especialidade na Bahia e assim, pressionar o poder público.

— Desde o início da gestão a Sesab vem honrando seus compromissos e fazendo pagamentos regulares e sucessivos a todos os prestadores de serviços, mesmo aqueles em caráter indenizatório.

— Entendemos que a decisão unilateral da empresa Núcleo de Cirurgiões Pediátricos da Bahia Sociedade Simples não contribui para a evolução do aperfeiçoamento do modelo de relações contratuais na saúde pública do estado. Temos esperança que os cirurgiões pediátricos, profissionais sensíveis e dedicados, revejam sua posição e não prejudiquem a população, em especial, os bebês recém nascidos e suas famílias, que serão as principais vítimas da posição da empresa.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading