Alunos fecham BR em protesto contra o aumento do coletivo

Estudantes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) realizaram manifestação no final da tarde desta quarta-feira (13) contra o aumento da passagem do transporte coletivo, que passou de R$ 1,80 para R$ 2 na zona urbana do município. O protesto fechou uma das pistas da BR 116/Sul, nas proximidades do campus universitário.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) divulgou nota pública sobre o protesto e o aumento da passagem. O documento diz respeito, também, ao episódio ocorrido há cerca de duas semanas, quando alunos foram detidos pela polícia após manifestação contra o aumento da passagem, realizado no centro de Feira de Santana.

Confira a íntegra da nota:

Tomates Vs. Cassetetes: uma luta entre desiguais – Nota Pública do DCE

O Diretório Central de Estudantes da UEFS vem através desta, expressar sua indignação diante dos fatos ocorridos durante a manifestação do dia 28 de abril de 2009 (terça-feira), organizada pelo Comitê de Luta pelo Transporte Público de Feira de Santana, do qual o DCE-UEFS é membro, e que terminou com lamentáveis cenas de agressão a estudantes por parte da polícia e com a detenção de cinco militantes.

Durante o ato público, parte da população feirense foi às ruas reivindicar a construção democrática de um sistema de transporte acessível e de qualidade e a redução da tarifa – atualmente em abusivos R$ 2,00 – bem como expressar sua indignação face à maneira desrespeitosa com a qual a prefeitura se portou ao aprovar o último reajuste tarifário às vésperas do feriado de Micareta.

Ao reprimir de forma violenta o pleno exercício da liberdade de opinião e expressão da população feirense, a polícia mostra mais uma vez quem são os cidadãos que ela protege e de quem ela está a serviço, uma vez que a ação policial foi uma resposta à solicitação feita pelo SINCOL. Nesse tipo de conflito, as classes em disputa têm acesso a instrumentos de luta bastante desiguais; enquanto à população pobre e marginalizada resta apenas a alternativa de utilizar ovos e tomates para chamar a atenção das autoridades e se fazer ouvir, aos empresários disponibiliza-se a força policial da cidade, no sentido de amedrontar e silenciar a população que se revolta contra a exploração da qual é vítima.

Compreendemos tal iniciativa como mais uma tentativa de criminalizar e silenciar os movimentos sociais em Feira de Santana. A convicção e certeza de impunidade com a qual o SINCOL age, vem de sua conhecida parceria com a prefeitura municipal, que historicamente se posiciona ao lado dos empresários. O exemplo emblemático desta aliança é o fato de que este ano, a proposta de aumento – que sabidamente beneficia apenas esses empresários, e não a população – veio da própria prefeitura. Para nós, está explícita nesta atitude a covardia e o oportunismo do prefeito Tarcísio Pimenta e seus aliados.

Apesar de toda coerção da prefeitura e do SINCOL, nós, estudantes e trabalhadores/as, não recuaremos em nossa luta, pela redução do valor da passagem de ônibus, por um transporte público de qualidade e a favor do direito de luta da população. A atuação do Conselho Municipal dos Transportes é arbitrária e deve ser imediatamente barrada! Direito não se dá, direito se conquista!

Diretório Central dos Estudantes – UEFS
Gestão: Ousar Lutar Quando a Regra é Ceder


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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