Na quinta-feira (28/05/2009), a reportagem do Jornal Grande Bahia entrevistou a artesã Norma Sueli Freitas Santana, referência nacional na confecção artesanal de roupas finas personalizadas em couro. Com três décadas de atuação no setor e estabelecida em Feira de Santana, Bahia, Norma relata que produz mensalmente entre 20 e 30 peças sob medida, como camisas, calças, paletós e acessórios, com destaque para o rigor técnico e a preservação de técnicas tradicionais.
O ofício artesanal e o cuidado com o couro
Norma Santana, 50 anos, explica que a demanda por vestuário em couro aumenta entre os meses de fevereiro e setembro, período no qual concentra a maior parte da produção. Cada peça é produzida artesanalmente, com base nas medidas e preferências do cliente, o que exige atenção específica a detalhes como corte, textura e acabamento da pelica.
“Você não pode fazer e desmanchar, porque pode deformar a peça e perder o trabalho. Por isso prefiro produzir sozinha. Assim garanto um produto de excelente qualidade aos meus clientes”, afirma.
A artesã reforça que o processo é minucioso e exige domínio técnico: qualquer falha no manuseio da pelica compromete o resultado final da peça.
Estrutura produtiva limitada e ausência de incentivos
Norma destaca que são poucos os profissionais que atuam com ateliê próprio na Bahia, estimando que não mais que cinco pessoas tenham esse tipo de estrutura no estado. A artesã critica a ausência de políticas públicas específicas voltadas à capacitação e ao fomento do trabalho artesanal em couro, o que limita a expansão da atividade.
“Falta incentivo do governo. Se fossem criadas escolas para formar artesãos em couro, com oferta de cursos e financiamentos, daríamos emprego a outras pessoas. O que existe hoje é muita burocracia”, aponta.
Comercialização, preconceito regional e o caso da Vaquejada
Durante a tradicional Vaquejada de Serrinha, evento de grande relevância cultural na Bahia, Norma afirma ser responsável por cerca de 70% das roupas de couro comercializadas. No entanto, denuncia que muitas peças produzidas em seu ateliê são revendidas com etiquetas de outros estados, como forma de valorização comercial.
“Se eu colocar produtos no mercado com etiqueta local, as pessoas não valorizam. Agora, se vier com etiqueta de São Paulo ou Rio Grande do Sul, o mesmo produto é mais valorizado. Já vi comerciantes da região fazerem isso com minhas peças”, relata.
Essa prática, segundo a artesã, revela um preconceito com a produção local e prejudica a visibilidade de artesãos que atuam com qualidade técnica na Bahia.
Localização do ateliê
Norma Sueli Freitas Santana mantém seu ateliê no endereço:
Rua Colatina, 304 – Bairro Queimadinha | Feira de Santana | Bahia.
Interessados em adquirir peças personalizadas em couro ou conhecer o processo artesanal podem entrar em contato diretamente com a profissional no local.
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