Presidente Turquia ameaça União Europeia com “milhões” de migrantes; País entre em conflito com a Síria

Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia.
Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou esta segunda-feira (02/03/2020) que milhões de pessoas irão entrar ilegalmente na Europa nos próximos meses. A ameaça decorre da suspensão de um acordo firmado com a União Europeia, em 2016, para impedir a entrada de migrantes em solo europeu.

Desde sexta-feira (31), quando surgiram rumores de abertura de fronteiras com a Grécia e a Bulgária, milhares de pessoas têm tentado entrar na União Europeia, através dos postos terrestres de fronteira desses países.

“Centenas de milhares atravessaram e em breve irão chegar aos milhões”, disse Erdogan num discurso transmitido pela televisão. As estimativas das Nações Unidas se referem um número muito menor, entre 10 mil e 13 mil pessoas.

Atenas impediu até agora cerca de dez mil pessoas de entrarem ilegalmente no país. Alguns migrantes, revoltados, responderam com pedras e barras de metal. Os guardas da fronteira lançaram gás lacrimogênio para dispersar a multidão.

O governo grego anunciou também, no domingo (1), a suspensão de novos pedidos de asilo durante o próximo mês.

Atenas acusou Ancara de conduzir uma campanha de migração ilegal, de forma “coordenada e maciça”. Em comunicado, lamentou que “a Turquia, em vez de restringir os canais de migrantes e refugiados dos traficantes, se tenha transformado num traficante”.

“Ou fazemos estas pessoas regressar às suas terras para viverem de forma condigna, ou todos partilhamos o fardo. Agora, o período de sacrifício unilateral acabou”, salientou Erdogan, esta segunda-feira (2).

O presidente turco defende que o seu país esgotou a capacidade de acolhimento de migrantes e não consegue lidar com uma nova onda de refugiados sírios.

Nas últimas semanas, quase um milhão de pessoas fugiram dos combates na região síria de Idlib, que opõem forças russas e sírias a tropas turcas e grupos islamitas armados, procurando refúgio em território turco. Ancara disse que tem recebido centenas de migrantes por dia. A Turquia acolhe já mais de três milhões de pessoas, refugiados sírios, mas igualmente migrantes de outros países, como é o caso do Afeganistão.

“A crise dos refugiados está crescendo e está a piorando”, defendeu à BBC o porta-voz presidencial, Ibrahim Kalin. O país está sob uma crescente pressão.

“A terra encolhendo e o número de pessoas está crescendo”, disse Kalin.

A solução para esse problema passa pela abertura das fronteiras por parte da comunidade internacional e não apenas a Turquia, “caso contrário haverá um massacre, um grande problema”, acrescentou.

Do lado turco, os guardas fronteiriços têm ordens para deixar sair quem queira, e de impedir qualquer regresso. Milhares de pessoas estão agora encurraladas numa terra de ninguém entre fronteiras.

Merkel apela ao diálogo

O presidente turco tem acusado a UE de não honrar o compromisso de 2016, por não ajudar Ancara a reinstalar os refugiados sírios em zonas consideradas seguras, no seu próprio país.

Em resposta à nova crise de migração, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse entender as expectativas de Erdogan, quanto ao auxílio europeu para evitar nova vaga de refugiados.

Merkel sublinhou contudo que o presidente turco não devia usar os migrantes para expressar a sua insatisfação.

“Compreendo que a Turquia está enfrentando um grande desafio quanto a Idlib”, disse a chanceler a jornalistas.

“No entanto, para mim é inaceitável que ele – o presidente Erdogan e o seu governo – não esteja a expressar a sua insatisfação num diálogo conosco enquanto União Europeia, mas antes a cavalo dos refugiados. Para mim, esse não é o caminho a seguir”.

Merkel, cujo país acolhe uma importante comunidade turca, acrescentou que a União Europeia e Ancara deviam retomar as conversações sobre o acordo dos refugiados e que a Alemanha está disposta a apoiar unilateralmente a Turquia.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.